Vale teve lucro líquido recorde no ano passado
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 23 (AE) - Apesar da queda dos preços internacionais de minério de ferro e pelotas, que representaram, no ano passado
uma perda de 11,5% no valor desses produtos, a Companhia Vale do Rio Doce registrou lucro líquido recorde em 1999. O resultado
de R$ 1,251 bilhão, corresponde a um aumento de 21,6% sobre o valor obtido em 98 e é o terceiro melhor desde a privatização, em 1996. Em contrapartida, a Vale teve redução de R$ 327 milhões no resultado financeiro, devido às variações monetárias.
A empresa pagará dividendos de R$ 2,28 por ação, num total de R$ 878 milhões. Com isso, a União, que ainda detém 21 6% de participação na empresa, receberá R$ 190 milhões em dividendos. Em 1996, antes da privatização, quando era dono de 51% do capital da Vale, o governo recebeu apenas R$ 56 milhões.
O bom desempenho da empresa foi puxado por sua atividade principal, que é a extração e o beneficiamento de minério, além da logística (transporte ferroviário, especialmente). Mas a equivalência patrimonial de suas coligadas e controladas recuou a menos da metade do salto de 1998: de R$ 133 milhões, passou para R$ 53 milhões. Os setores de papel e celulose, alumínio e siderurgia, mesmo tendo melhorado seus resultados, foram os responsáveis pelo saldo negativo.
Segundo o presidente da Vale, Jório Dauster, estas subsidiárias tinham grande endividamento em dólar, o que afetou com muito impacto o resultado. "Tivemos uma cacetada forte em alumínio, o que foi um elemento negativo na contabilidade", comentou. Toda a perda acarretada pela desvalorização do real, que teve variação de mais de 50% no primeiro semestre de 99, foi computada no balanço do ano, já que a empresa optou por não fazer o diferimento em quatro anos, como permitiu o governo.
"O balanço do ano passado não terá uma só nota de pé de página", afirmou. "Isto significa que os bons resultados esperados para 2000 serão apresentados em sua plenitude." Ele reafirmou a intenção de manter a Vale voltada para seu negócio central: minério e logística, e disse que negociações para venda de ativos em outros setores "podem ocorrer a qualquer momento"
embora tenha frisado que ainda não há nada definido, nem mesmo nas conversas com o consórcio japonês JBP, sócio da Cenibra, sobre a fusão da empresa com a Bahia Sul, também produtora de papel e celulose.
Mostrando-se otimista sobre o desempenho da economia este ano, ele previu um aumento médio de 5% no preço das commodities (em torno de 6% para pelotas e 4,35% para minério de ferro) e comentou que o crescimento econômico de 4%, previsto pelo governo, "é factível". Como o mercado siderúrgico acompanha o desempenho do PIB, a elevação atingirá também o setor de minério de ferro, que depende diretamente da demanda do aço.
As exportações consolidadas de todo o sistema CVRD (contando as participações em subsidiárias onde a parcela que a empresa detém no capital é refletida nas vendas externas) foram de US$ 2,9 bilhões. O efeito da desvalorização cambial mais do que compensou a redução dos preços em dólar e a quantidade de produto vendida. A receita com minério de ferro representou 68 2% da receita bruta em 99, ante 66,3% do ano anterior. "Nosso ganha pão teve perda de preço e volume, mas o câmbio contribuiu para anular este efeito", disse Dauster, prevendo, para este ano, uma melhoria significativa de receita que, segundo ele, de "ultrapassar muito US$ 3 bilhões".


