Belém, 26 (AE)- O senador Luiz Otávio Campos (PPB-PA) afirmou hoje que a Companhia Vale do Rio Doce vem mantendo segredo sobre a descoberta de duas novas jazidas de ouro, com 56 toneladas, em Carajás, no sul do Pará. As jazidas, segundo Campos, estariam localizadas na área que abriga o Projeto Igarapé Bahia, hoje o maior produtor de ouro do País, com 11 toneladas por ano.
Campos está promovendo o que ele chama de "devassa nas contas da Vale" em vários órgãos federais para saber quanto a empresa já lucrou, nos últimos 20 anos, com seus investimentos minerais no Pará. Ele disse que tentou obter informações junto à Vale sobre a existência das novas minas de ouro, mas não obteve sucesso. "Quando está em jogo os interesses do Pará, a Vale sonega impostos e também informações", atacou o senador.
Ele contou que ficou sabendo da descoberta das duas jazidas através do diretor-geral do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), Miguel Navarrete Júnior. O ouro foi encontrado pela empresa Rio Doce Mineração e Geologia (Docegeo), subsidiária da Vale no setor de pesquisas minerais nos Projetos Gameleira e águas Claras, na Serra dos Carajás. As novas jazidas vão garantir pelo menos mais seis anos de funcionamento do Projeto Igarapé Bahia.
Campos informou ao "Estado" que já solicitou ao DNPM um relatório detalhado sobre os resultados de outras pesquisas feitas pela Vale em 104 áreas minerais do Pará. O senador revelou ter tomado conhecimento de que a empresa até hoje não enviou ao DNPM esses relatórios, como manda a legislação mineral. "Vou abrir a caixa-preta dessa empresa", prometeu ele
anunciando que as áreas pesquisadas foram colocadas pela Vale sob contrato de risco junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do qual é sócia, antes de a empresa ser privatizada.

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