Vale sabia de problemas com sensores de barragem
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2019
Fausto Macedo e Julia Affonso <br> Agência Estado 
São Paulo - A Polícia Federal identificou em e-mails trocados por funcionários da Vale e da consultoria alemã Tüv Süd que a empresa de mineração já sabia de problemas com sensores da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) dois dias antes do rompimento que matou 150 pessoas e deixou 182 desaparecidos. As informações constam do depoimento do engenheiro Makoto Namba, coordenador de projetos da empresa Tüv Süd, à PF.
Namba e outro engenheiro, André Yassuda, foram presos no dia 29 de novembro, quatro dias depois do estouro da barragem que despejou o mar de lama em Brumadinho. Nesta terça (5), o Superior Tribunal de Justiça mandou soltar os dois engenheiros.
O delegado Luiz Augusto Nogueira leu os e-mails para o engenheiro durante seu depoimento. Segundo a PF, as mensagens "foram iniciadas pelo indivíduo Denis Valentim no dia 23 de janeiro de 2019, às 14h38" e endereçadas a executivos da Vale a da Tüv Süd. No dia 24 de janeiro, às 14h44, funcionários da terceirizada Tec Wise também receberam mensagens.
"(O) assunto tratado diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10 de janeiro de 2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 piezômetros automatizados", narrou a Polícia.
A PF questionou o engenheiro "qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem B1". "Respondeu que após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM (Plano de Ação de Emergência para Barragens) para as providências cabíveis", disse Makoto Namba.
Makoto Namba disse à PF que trabalha há 24 anos na Tüv Süd. Segundo o engenheiro, "a 1ª auditoria externa realizada pela Tüv Süd na Barragem do Córrego Feijão ocorreu em setembro de 2018 e consistiu na avaliação das condições da estrutura da barragem se seus dispositivos de segurança e dos dados referentes à mesma de inspeções anteriores bem como da revisão periódica realizada em junho de 2018".
"A auditoria externa ou inspeção regular realizada em setembro de 2018 e os respectivos relatórios serviram como base para a declaração de estabilidade assinada pelo declarante em setembro de 2018 referente a barragem B1 do CCF", contou.
A Vale informou que "vem colaborando proativamente e da forma mais célere possível com todas as autoridades que investigam as causas do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades".


