Vale deve assumir participação da Usiminas na Ferro-Ligas
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Ana Paula Nogueira 
Rio de Janeiro, 30 (AE) - A Vale do Rio Doce deverá fechar nos próximos dias a aquisição dos 50% de participação da sócia Usiminas no Grupo Ferro-Ligas, que passará por uma grande restruturação. A Vale e a Usiminas são sócias iguais na Vale-Usiminas Participações S.A., holding que comprou em 1995 o controle acionário do Grupo Ferro-Ligas, formado pelas companhias Eletrosiderúrgica Brasileira (Sibra) e a Companhia Paulista de Ferro-Ligas.
Recentemente, as duas empresas anunciaram que estavam negociando a possibilidade de um dos sócios absorver a participação do outro. Segundo uma fonte do mercado ligada às negociações, houve algumas empresas interessadas em comprar o controle do Grupo Ferro-Ligas, mas, pelo preço oferecido, valeria mais a pena assumir a parte da Usiminas e ficar no negócio.
A Vale promoverá uma fusão entre a Ferro-Ligas e a sua área de manganês e eliminará um dos problemas básicos da empresa. A Ferro-Ligas tem nas duas pontas da produção - venda e compra - suas controladoras. "Como fornecedor de manganês está a Vale e como comprador de ferro-ligas, a Usiminas, o que torna difícil uma negociação de preço e aumento das margens", destacou.
Esse impasse foi um dos principais fatores que motivaram a venda de pelo menos parte da empresa. Com a venda da participação da Usiminas para a Vale, a Ferro-Ligas terá maior liberdade para aumentar os preços dos produtos acabados e, com a fusão com segmento de manganês, diminuir os custos de produção.
Mesmo saindo do negócio, a Usiminas ficará responsável pelo pagamento de uma parte da dívida da empresa - outro grande problema da Ferro-Ligas. "Haverá uma rateio do valor entre as duas empresas", destacou a fonte.
A Vale assumirá a outra parte e promoverá uma renegociação com os bancos credores. A fonte destacou, no entanto, que a Ferro-Ligas ainda enfrentará dificuldades para tornar-se competitiva, uma vez que o setor já tem três ou quatro grandes empresas fornecedoras do produto, que estão constituídas de maneira verticalizada. Para a fonte, a não adesão de quase a totalidade dos minoritários à recompra de ações feita pela holding é sinal de que o mercado está otimista em relação à empresa.


