Rio - Dois novos depósitos de ouro e cobre começarão a ser explorados este ano pela Companhia Vale do Rio Doce em Carajás, no Pará. A jazida de águas Claras, com reserva estimada em 50 toneladas de ouro, teve relatório final de pesquisa aprovado em fevereiro deste ano pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Já o depósito de ouro e cobre de Gameleira, com potencial um pouco menor, ainda está sendo analisado pelo órgão regulador. Ambos tiveram pesquisa iniciada no final da década de 80.
Pela avaliação técnica da empresa, são jazidas "de pequena expressão", para as quais serão usadas instalações de outras minas, já que a quantidade de minério não justifica novos investimentos. Na mesma região de Carajás está sendo pesquisado outro depósito de ouro e cobre que poderá ter sua descoberta anunciada este ano. Se forem confirmados os estudos técnicos preliminares, esta jazida sim vai representar um reforço capaz de alterar os ativos da Vale.
"Carajás tem um grande potencial para metais e ainda há muita coisa a ser feita lá", diz o diretor de Metais Básicos e Material Industrial da CVRD, José Francisco Martins Viveiros, sem querer adiantar detalhes sobre as novas áreas exploradas. Ele classificou como "nada de extraordinário" a confirmação da viabilidade econômica das jazidas de águas Claras e Gameleira, consideradas como "marginalmente econômicas".
Segundo Viveiros, para merecer investimentos na construção de novas minas um depósito tem de apresentar reserva de, no mínimo, 100 toneladas de ouro, o dobro do esperado para águas Claras. A Vale opera cinco minas de ouro em todo o País e a produção total é de cerca de 18 toneladas por ano, o que dá à empresa o status de maior produtora individual de ouro da América Latina.
As minas estão localizadas em Minas Gerais (Itabira e Caeté), na Bahia (Fazenda Brasileiro), em Tocantins (Almas) e no Pará (Igarapé-Bahia). Esta última, que processa 10 toneladas de ouro por ano, será usada para o beneficiamento do metal extraído das duas novas jazidas. Segundo Viveiros, o estoque da jazida de águas Claras dará uma sobrevida de quatro anos à mina. Geralmente o tempo de utilização de instalações deste tipo é de dez anos. "É uma descoberta que vai acrescentar produção, mas nada que altere significativamente o que já vem sendo feito na região de Carajás", minimiza o diretor.

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