Vale cancela projeto de R$ 4 bilhões no Pará
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 13 (AE) - O presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Jório Dauster, anunciou hoje que o Projeto Salobo, que exploraria minas de cobre em Parauapebas, no sul do Pará, é "economicamente inviável". O principal motivo da desistência, segundo Dauster, é a queda de preço do cobre no mercado internacional. O projeto, orçado em R$ 4 bilhões, tornaria o Brasil autosuficiente e exportador de cobre na virada do século.
Dauster disse ao governador Almir Gabriel (PSDB), com quem esteve reunido, que os estudos para a implantação do Salobo foram realizados quando a Vale ainda era uma empresa estatal. "Hoje, a situação mudou. Uma empresa como a Vale não pode investir um-quarto de seu capital num único projeto. Se este fracassar, a empresa vai à falência", resumiu ele.
O dirigente da Vale explicou que a empresa pode transferir o projeto para outra companhia de mineração. Ele não disse qual seria essa empresa.
Para compensar a frustração dos paraenses com o Salobo, Dauster anunciou que vai dobrar a produção de caulim no estado, explorar jazidas de calcário e fabricar ferro-gusa em Marabá. Os três projetos serão iniciados no próximo ano.
Indignação - A decisão da Vale de cancelar o Salobo provocou indignação entre empresários e políticos paraenses. Os deputados estaduais, com os quais o presidente da Vale esteve na tarde de ontem (12), chegaram a afirmar que a empresa "enganou o Pará" com sucessivas e reiteradas promessas de implantação do projeto.
O líder do PSDB na Assembléia Legislativa, Mário Couto, foi taxativo: "O Pará não merece o que a Vale está fazendo com o nosso povo. Ela foi, no mínimo, inconsequente em prometer o que agora diz que não vai cumprir".
Para o líder do PMDB, Gabriel Guerreiro, o que a Vale está querendo, na verdade, é colocar à venda o complexo de cobre e ouro que ela tem na Serra dos Carajás. "Ela não vai fazer investimento nenhum, porque não está interessada nisso."
Vários deputados prometeram votar, em regime de urgência
um projeto da deputada tucana Elza Miranda que cancela todos os incentivos fiscais concedidos à Vale nos últimos 20 anos no estado para extração, industrialização e comercialização de bauxita, alumina e derivados do alumínio.


