Rio, 19 (AE) - A Companhia Vale do Rio Doce anunciou hoje um investimento recorde: US$ 936 milhões para este ano. Boa parte deve ser bancada com o caixa da empresa, que ultrapassa US$ 1 bilhão, afirmou o presidente da Vale, Jório Dauster. Mas, para os grandes projetos, como a usina de pelotização de São Luís e as aplicações em ferrovias, a Vale está recorrendo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo Dauster, poderá haver ainda outras modalidades de financiamento. "A Vale tem potencial de alavancagem quase infinito", disse. "Ela pode bancar os investimentos praticamente sem aumentar seu endividamento (de 30% do patrimônio líquido)". Dauster citou um contrato de fornecimento de alumínio à Norsk Hydro, de US$ 1,5 bilhão, que possibilitaria uma securitização de até US$ 800 milhões.
O investimento de 2000 é o maior investimento anual "de qualquer empresa privada na história do País", declarou o presidente. E o montante pode ser ainda mais elevado. "Falei dos projetos mapeados, mas ao longo do ano podem surgir outras oportunidades, como joint-ventures e aquisições".
Dauster, no entanto, não confirmou diretamente algumas transações especuladas pelo mercado. Ele não reconheceu o interesse na mineradora Paranapanema, que está nas mãos dos fundos de pensão. Mas emendou: "Em qualquer área de mineração no Brasil é óbvio que a Vale tem interesse". E sobre a venda da Samitri pela belga Arbed, afirmou: "Não comento negociações em andamento".
O investimento deste ano é uma recuperação dos investimentos que não foram feitos em 1999 por causa das más condições do mercado. A Vale destinará 34% do total aos aportes de capital nas controladas e coligadas. As ferrovias, principalmente a Ferrovia Centro-Atlântica, receberão US$ 109,1 milhões. Mais US$ 77,1 milhões serão gastos na reestruturação das empresas de ferro-ligas. A Vale comprou, por exemplo, a parte da Usiminas na Ferro-Ligas, "e agora há estímulo para fazer investimentos", disse Dauster.
Os maiores gastos com projetos serão feitos na usina de pelotização de São Luís - pelotas são bolas de ferro, matéria-prima para a siderurgia. A Vale destinará US$ 152,2 milhões este ano à usina, de um projeto total de US$ 407,8 milhões até 2002. As usinas hidrelétricas receberão US$ 49 milhões.
A empresa está voltando a apostar na pesquisa geológica, que receberá US$ 46,1 milhões. As pesquisas serão concentradas em Carajás, especialmente em cobre. A Vale crê na existência de uma província de cobre com ouro na região, que pode fazer da empresa uma das maiores produtoras de cobre integrado do mundo. O BNDES é sócio nas pesquisas geológicas, com 50%.
Por área de negócios, os minerais ferrosos receberão 63% dos investimentos, ou US$ 589,8 milhões, ante US$ 150,9 milhões em 1999. Haverá também gastos importantes em logística, área em que o gasto pulou de US$ 7,7 milhões, em 1998, para US$ 176,8 milhões. No setor de papel e celulose a Vale sofreu prejuízos no ano passado, por isso teve de fazer aportes. Este ano os gastos diminuem.
Os resultados da Vale serão divulgados em fevereiro ou março. Mas as exportações do ano passado foram de 80 milhões de toneladas e podem totalizar US$ 2 bilhões. Este ano, a empresa deve exportar 90 milhões de toneladas.

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