Curitiba- O individualismo e a vaidade são os traços mais marcantes entre os jovens da atual geração. Isso é o que revela a terceira edição do ''Dossiê Universo Jovem'', produzido pela MTV Brasil e apresentado, ontem, em Curitiba. A pesquisa ouviu perto de 2,5 mil pessoas, entre 15 e 30 anos, das classes A, B e C de grandes centros urbanos, entre novembro e dezembro de 2004. Trinta e quatro por cento dos entrevistados concordaram que esta é uma geração vaidosa e 22% apontaram os jovens como individualistas.
A gerente de pesquisas da MTV, Ione Mendes, lembrou que o primeiro levantamento, realizado em 1999, já apontava que o perfil individualista do jovem brasileiro começava a ficar em alta, deixando para trás o pensamento coletivo e comunitário. ''Medos, desafios e muita competitividade estavam conduzindo a uma luta particular. Uma luta abrigada pela família, onde a boa relação entre pais e filhos abriu espaço a uma juventude sem pressa de sair de casa'', descreve o dossiê.
Nesse aspecto, a aproximação entre pais e filhos é cada vez maior. ''Os pais compartilham o mesmo guarda-roupa, amigos, lugares e até namorados'', observou. Mas, diferente da primeira pesquisa, os jovens agora reclamam mais dessa ''relação muito amiga'', que estaria comprometendo o papel de pais.
Em relação à vaidade, Ione destacou que essa característica vem sendo assumida com maior naturalidade pelos homens. Dos jovens entrevistados, 37% admitiram fazer as unhas, 28% usam cremes para o rosto, 25% pintam o cabelo e 22% fazem limpeza de pele. No geral, a pesquisa mostrou que 60% dos jovens acreditam que pessoas mais bonitas têm mais oportunidades na vida. A grande maioria (80%) está satisfeita com sua aparência (53% totalmente e 27% em parte).
A pesquisa da MTV também abordou questões relacionadas à sexualidade, à comunicação na era da internet e às drogas. Esse último tema é, disparado, o problema mais citado pelos jovens, mas, de acordo com o dossiê, o índice caiu de 52%, em 1999, para 36%, em 2004. Dos entrevistados, 33% concordam que é possível o consumo responsável de drogas ilegais (40% na classe A; 37% em São Paulo).
Para Ione, dois pontos chamam a atenção: os jovens reconhecem que as drogas estão muito próximas deles e 30% acreditam que o tráfico exerce papel sócio-econômico importante, já que se tornaram a principal fonte de renda entre muitas comunidades carentes. ''Há uma clara inversão de valor'', declarou.
Ione explicou que o diagnóstico feito entre o público jovem tem o propósito de servir de subsídio para definir a linguagem da emissora, mas pode também ser usada por organizações não-governamentais (ONGs) e instituições públicas para a definição de políticas voltadas a essa população.

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