São Paulo - A dispersão da lama proveniente das barragens da empresa Samarco que romperam em Mariana em 5 de novembro pode ser de 3 km em direção ao norte e de 6 km em direção ao sul quando elas atingirem o mar pela foz do Rio Doce. A informação foi dada na manhã de ontem pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, citando dados preliminares de uma modelagem que está sendo feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
"As correntes estão na direção do sul, não do norte. Obviamente os dados são preliminares com base em vazão, concentração de sedimentos. Isso pode mudar no tempo com o acompanhamento da lama", afirma Izabella. "Não há expectativa de chegar em Abrolhos, nem mesmo em Vitória, que está a 120 km dali."
A ministra confirmou, porém, que a lama vai chegar ao mar e terá impactos. "Agora como a lama vai chegar, em qual quantidade, se vai mais para o fundo, isso depende de como vai entrar (no mar), considerando que a foz do rio está assoreada. Vai ser um grande impacto, provavelmente, nesse ambiente estuarino, que as pessoas estão trabalhando na prevenção."
Nessa faixa estimada de dispersão, Izabella afirma que há a presença de recursos pesqueiros. "Tem crustáceo, tem fauna de bento, vai ter impacto, mas fizemos um canal de desvio (na foz do rio, para facilitar a dispersão da lama) para não pegar a área de desova da tartaruga de couro (espécie ameaçada de extinção que vive no local)." O projeto Tamar está recolhemos os ovos do animal.
"Mas impacto vai ter. Como teve no Rio Doce, no trecho de Minas, onde a fauna acabou. A ictiofauna acabou. A calha do rio principal ficou impossível, especialmente para os peixes de fundo. Porque os peixes de superfície, muitos conseguiram migrar para os tributários, mas estão morrendo. A fauna ribeirinha foi impactada. É a maior catástrofe ambiental do País, isso é inegável", diz.

SAMARCO
A Justiça Federal no Espírito Santo determinou que a mineradora Samarco adote em 24 horas medidas para que a lama que atingiu o Rio Doce com a ruptura das duas barragens da empresa em Mariana (MG) não chegue ao mar. Conforme a decisão, do juiz Rodrigo Reiff Botelho, da 3ª Vara Cível de Vitória, a mineradora será multada em R$ 10 milhões por dia caso a determinação não seja cumprida. Anteontem, o abastecimento de água foi suspenso em Colatina, a maior cidade do Espírito Santo a depender exclusivamente do Rio Doce para fornecer água à população.
O governo de Minas Gerais também multou a mineradora Samarco em R$ 112 milhões pelo desastre ambiental no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. A punição partiu da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e, segundo a própria pasta, a penalidade é a primeira a ser aplicada. Outras poderão ser impostas à mineradora. Até o momento foram confirmadas sete mortes após a catástrofe. Quatro corpos aguardam identificação. Doze pessoas estão desaparecidas.

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