Curitiba – A próxima aparição do mais famoso dos cometas, o Halley, acontecerá apenas entre 2061 e 2062, no entanto, a partir da próxima sexta-feira quem olhar para o céu no período da noite já poderá presenciar seu rastro luminoso de poeira e detritos batendo na atmosfera. Trata-se da chuva de meteoros orionídeas, um fenômeno que se repete todos os anos, quando a órbita da Terra coincide com a área por onde o corpo de luz passou a última vez, em 1986.
"Existem vários tipos de chuvas de meteoros, aquelas que são cíclicas, que ocorrem mais ou menos na mesma época, e as eventuais, que ocorrem aleatoriamente. Essa é uma chuva cíclica, sempre no mês de outubro, e associada à passagem do Cometa Halley. Na verdade, temos duas chuvas durante o ano associadas a ele, uma em maio (a Eta Aquarídeas) e essa em outubro", contou o professor de astronomia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) João Carlos Oliveira.
Segundo ele, o fenômeno se estende até o início de novembro, entretanto, o pico é verificado entre 21 e 22 de outubro, quando é possível ver até 20 meteoros por hora. "O cometa tem a órbita bem extensa. Ele se aproxima do Sol e depois vai bem longe, completando o percurso a cada 76 anos. Sempre que se aproxima do solo, começa a derreter – é formado basicamente de gelo e poeira – e, devido ao atrito e à velocidade, a queimar e a perder massa. É esse material que fica no caminho", explicou.

DICAS

As orionídeas podem ser observadas tanto no hemisfério sul quanto no norte. O físico lembra que não é preciso usar nenhum equipamento especial. "A impressão que nós temos é que os meteoros partem de um ponto do céu. E esse ponto fica numa constelação, que dá o nome à chuva. Ou seja, a primeira coisa a fazer é encontrar a constelação associada, neste caso a de Orion. É bem fácil, porque nela nós temos as Três Marias." O momento mais propício para presenciar o evento é à noite, a partir das 20 horas. "Conforme o tempo passa e a noite avança, você vai acompanhando as Três Marias."
Oliveira aconselha os interessados a estar numa posição confortável e em locais mais escuros. "Eu costumo levar uma cadeira de praia. Fico sentado, porque a frequência de 20 meteoros por hora não é tão intensa; leva um tempo." Desde que a constelação esteja visível, com o céu limpo, sem nebulosidade ou poluição, pode ser vista de qualquer cidade do Brasil ou do mundo. Fora dos grandes centros urbanos, contudo, a visibilidade costuma ser maior.
Descoberto pelo astrônomo e matemático Edmond Halley em 1696, o Halley foi o primeiro corpo celeste a ser reconhecido como periódico, tendo sua órbita completa descrita. "Existem chuvas até mais intensas e brilhantes, mas essas (Eta Aquarídeas e Orionídeas) ganham importância por causa do cometa", completou Oliveira.

SESSÃO


A PUCPR realiza amanhã, às 15 horas, na FTD Digital Arena, no campus Prado Velho, da capital, a sessão "O Céu de Curitiba – Além da Atmosfera", justamente para falar sobre o evento. Além da demonstração, serão dadas dicas de como visualizar a chuva de casa, onde olhar para o céu e o que procurar. Os ingressos custam R$ 28 (inteira) e R$ 14 (meia-entrada), mas há descontos para famílias. A programação completa está disponível no site www.ftddigitalarena.com.br.

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