RIO - O ex-PM Nélson Oliveira dos Santos Cunha, primeiro dos acusados a ter confessado participação na Chacina da Candelária, será julgado hoje pelo II Tribunal do Júri, no Rio. Cunha é o segundo réu a ser julgado pelo crime, no qual oito meninos de rua morreram, na madrugada do dia 23 de julho de 1993. O primeiro foi Marcos Vinícius Borges Emanuel, condenado, em seu segundo julgamento, a 89 anos de prisão.
Pouco antes do primeiro julgamento de Emanuel, Cunha confessou ter participado da chacina e ter sido o autor do primeiro disparo contra Wagner dos Santos. O disparo, de acordo com seu depoimento, teria sido acidental. Ele estaria apontado a arma para a cabeça de Wagner dos Santos, quando o carro, em que ele e outros meninos de rua estavam, passou por uma saliência na rua, fazendo com que sua arma disparasse.
Baseado nesta tese e no depoimento do próprio Wagner, que reconheceu Carlos Jorge Liaffa, e não Cunha, como o autor do tiro que o atingiu ainda dentro do carro, o advogado Luiz Carlos da Silva Neto irá pedir a absolvição do réu. Para atingir seu objetivo, Silva Neto arrolou duas testemunhas. Também estão listadas pela promotoria o coronel Valmir Alves Brum e o próprio Wagner. ‘‘O Brum deu um depoimento muito favorável sobre o caráter do Cunha no sumário de culpa e o próprio Wagner afirmou que nunca viu Cunha em sua vida’’, disse o advogado.
Além destas duas testemunhas, a defesa arrolou outras cinco, entre elas a mãe e Cunha, e a acusação, outras seis, o que segundo a previsão dos membros do Tribubal fará com que a sentença só seja conhecida amanhã. Wagner dos Santos chegou ao Rio, vindo da Suíça, onde mora atualmente, na manhã de anteontem. Ele está sob custódia da Polícia Federal, onde recebeu a visita de suas irmãs. Wagner só sairá de lá para fazer alguns exames médicos após o julgamento. Desde a chacina, o rapaz vive com uma bala alojada na cabeça.
Cristina Leonardo, advogada de Wagner dos Santos, foi acusada pelo advogado Silva Neto de procurar seu cliente para lhe propor uma barganha: ele citaria o nome de outros envolvidos no crime e, em troca, ela daria proteção à sua família através da Anistia Internacional, que poderia instalar e dar apoio aos parentes de Cunha no exterior. Cristina nega ter feito tal barganha. Segundo sua versão, ela ofereceu a Cunha fazer contato com a Anistia Internacional, caso ele sentisse que sua família estaria sendo ameaçada.

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