Londrina – Encontrar um lote para garantir o descanso eterno a um parente falecido fica cada dia mais difícil em muitas cidades do Paraná. Em Londrina, os cinco cemitérios municipais na área urbana estão próximos do esgotamento. Segundo a Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), o São Pedro tinha até a semana passada apenas 45 terrenos disponíveis para venda; o João XXIII, 51; e o Jardim da Saudade, 17. Nos cemitérios Padre Anchieta e São Paulo, não havia lotes disponíveis.
"No Jardim da Saudade a disponibilidade hoje eu diria que é para mais um mês apenas. Nos outros, a média de vendas é menor, em razão dos valores serem mais altos", explica Sonia Maria Nobre Gimenez, superintendente da Acesf. Ela estima que hoje a capacidade total dos cemitérios municipais na área urbana de Londrina é suficiente para atender à demanda somente pelos próximos seis meses.
Diante do problema, a Acesf estuda algumas alternativas. Uma é a revisão de concessões de túmulos abandonados e/ou em situação irregular. No Jardim da Saudade, a autarquia acredita que com esse trabalho seria possível abrir entre 400 e 450 vagas. A ação permitiria também que voltassem a ser ofertados terrenos no Padre Anchieta e no São Paulo.
Sonia aponta que a avaliação dos túmulos já foi feita. Agora, a Acesf precisa publicar uma lista em jornal de grande circulação e tentar notificar os responsáveis. Depois disso, será feita a revogação das concessões daqueles que não se pronunciarem. Não há prazos, mas a autarquia diz que o processo deve ser finalizado "o mais breve possível".
Outra alternativa seria o sepultamento nos oito cemitérios dos distritos rurais de Londrina. A superintendente diz que especialmente as necrópoles de Maravilha e Lerroville teriam mais disponibilidade de espaços. "Se as famílias concordassem, os sepultamentos poderiam ser feitos nos cemitérios distritais, e depois (os restos mortais) poderiam ser removidos para o novo cemitério municipal", explica.
A nova necrópole, em discussão desde o ano passado, será tema de uma reunião que será realizada nesta segunda-feira na Prefeitura de Londrina. Sonia descreve que oito áreas para a construção do cemitério foram analisadas, mas algumas já foram descartadas.

Maringá
Em Maringá, terceiro município mais populoso do Paraná, o único cemitério municipal, onde hoje estão 63 mil sepultados, corria no ano passado o risco de não ter mais vagas. Vagner Mussio, secretário de Serviços Públicos da prefeitura, diz que a administração municipal definiu três medidas emergenciais para atenuar o problema. A primeira foi um geoprocessamento do cemitério, em que foram identificados os túmulos abandonados. Depois, os responsáveis foram notificados extrajudicialmente.
"A concessão é de cinco anos. Os responsáveis pelos túmulos que estão bem cuidados tiveram as concessões renovadas. Mas tem túmulo que ninguém cuidava há 30 anos. Naqueles cujos responsáveis não conseguimos localizar, os restos mortais foram exumados e colocados em um ossário individual, onde vão ficar até que alguém da família apareça ou indefinidamente", explica.
Mussio aponta que o geoprocessamento abriu espaço para mil carneiras duplas, das quais 200 já estão prontas. A segunda medida será a construção de 2,1 mil gaveteiros no pátio da antiga capela do cemitério – 380 estão prontos. Por fim, mais 3 mil vagas serão disponibilizadas no espaço que será aberto com a saída da sede do Instituto Médico-Legal (IML) do cemitério, após a entrega do novo prédio da instituição, ainda este ano. "Com essas ações, teremos vagas para os próximos cinco anos", diz o secretário.
Enquanto isso, a Prefeitura de Maringá planeja fazer outro cemitério municipal, em uma área próxima à nova Cidade Industrial. Mas não há previsão de quando as obras terão início. "Não tem como começar antes de dois anos, devido às licenças ambientais", justifica Mussio.

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