VAGA ZERO - Portaria ordena atendimento e hospitais pagam a conta
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sábado, 02 de julho de 2011
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
A política do vaga zero parte do princípio de que se o paciente está em uma ambulância, precisando de socorro, é mais lógico levá-lo a uma emergência, estabilizá-lo, do que deixá-lo sem atendimento. E de fato, é isto mesmo que tem que acontecer. O problema é que depois de estabilizado, este paciente, na maioria das vezes, vai precisar ser encaminhado para um centro cirúrgico, uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ou mesmo para uma enfermaria, advertiu o diretor geral do Hospital Evangélico (HE) de Londrina, Luiz Koury.
De acordo com o médico, o sistema de regulação deveria cuidar, neste momento, de transferir o paciente para outra instituição com vaga disponível. Mas isto não acontece e o hospital que abriu as portas para prestar os primeiros socorros fica com o ônus de todos os procedimentos posteriores. O resultado, afirmou Koury, é o acúmulo de pacientes na sala de emergência durante dias seguidos, aguardando vaga. É como se aquele paciente não fosse mais problema do sistema público de saúde, mas sim do hospital que garantiu o primeiro atendimento.
O diretor ressaltou ainda que quando o governo federal instituiu o Programa de Atendimento a Urgência e Emergência criando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências (Siate) foram previstos investimentos nas unidades de emergência dos hospitais e em leitos de UTI, já que a medida vinha justamente para melhorar o cuidado pré-hospitalar e transportar rapidamente pacientes graves para atendimento hospitalar. Este investimento, porém, nunca aconteceu, o que estrangulou os prontos-socorros, constatou Koury.
De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, entre março, abril e maio deste ano foram atendidos 331 pacientes vaga zero no PS do Evangélico, sendo que o mês mais crítico foi abril, com 132 pacientes. Outro grande hospital terciário de Londrina, a Santa Casa, informou que receber pacientes de urgência sem leito disponível é rotina na instituição, mas que não detalha estes atendimentos.
Segundo a coordenadora macrorregional da Central Estadual de Leitos, Terezinha Fátima Sanchez, o Norte do Estado dispõe de cinco regionais de saúde: Ivaiporã, Apucarana, Cornélio Procópio, Jacarezinho e Londrina. A única, segundo ela, que apresenta defasagem de leitos de UTI é Londrina, por atender casos de maior complexidade. Os pedidos de vaga zero só são feitos quando há risco iminente de morte. A regulação macronorte não manda paciente de outro município para Londrina por falta leito na origem, mas por necessidade de maior complexidade de atendimento, esclareceu.
A realidade é velha conhecida das autoridades públicas. Já no primeiro parágrafo da portaria nº 2048, de novembro de 2002, que institui o conceito, o texto disse: A área de Urgência e Emergência constitui-se em um importante componente da assistência à saúde. A crescente demanda por serviços nesta área nos últimos anos, devido ao crescimento do número de acidentes e da violência urbana e à insuficiente estruturação da rede são fatores que têm contribuído decisivamente para a sobrecarga dos serviços de Urgência e Emergência disponibilizados para o atendimento da população. Isso tem transformado esta área numa das mais problemáticas do Sistema de Saúde.
A assessoria do Ministério da Saúde informou que a regulação de leitos é prerrogativa dos gestores locais (Município e Estado), bem como a responsabilidade por ampliar os serviços de forma a garantir o atendimento.


