'Vadias' marcham contra o machismo e a violência
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sábado, 13 de julho de 2013
Mariana Franco Ramos<br> Equipe Bonde 
Curitiba - Centenas de mulheres participaram ontem da terceira edição da Marcha das Vadias de Curitiba, no centro da capital, para protestar principalmente contra a violência de gênero, o machismo, a criminalização das vítimas e todas as outras formas de opressão. A mobilização começou por volta de 11h, na Praça 19 de Dezembro, conhecida como "Praça do Homem Nu", mas chamada pelas manifestantes também de "Praça da Mulher Nua", em referência às duas estátuas que existem no local.
Com placas e cartazes que traziam críticas à criminalização do aborto e a projetos como o Estatuto do Nascituro e a chamada "Cura Gay", as "vadias" seguiriam, após o fechamento desta edição, em passeata até a Boca Maldita. A Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal acompanhavam a movimentação.
Segundo a historiadora Maira de Souza Nunes, de 38 anos, uma das organizadoras, o objetivo do ato é denunciar os crimes que têm acometido mulheres no Paraná e, especialmente, em Curitiba. Ela lembrou os últimos números divulgados pelo Mapa da Violência, do Instituto Sangari, com dados de 2010, que apontaram o Estado como terceiro em número de assassinatos contra mulheres, com 388 homicídios registrados. E pediu mais empenho do poder público no combate ao problema. "Mesmo com a criação da Secretaria da Mulher, em Curitiba, no início do ano, estamos no topo do ranking. Todos os dias há registro de discriminação, machismo, violência, homofobia e lesbofobia na cidade e no Estado. Não atribuímos a culpa aos homens, mas à sociedade em geral".
A funcionária pública Fabiane Belém, de 30 anos, que participou da marcha pela segunda vez, criticou o fato de, em 2013, ainda existir diferença de tratamento no mercado de trabalho e em outros espaços. "Mulheres ganham menos que os homens, mesmo desempenhando as mesmas funções. E se uma mulher fica com vários caras, é logo chamada de vagabunda. Já com os homens isso não acontece".
O Paraná apresenta uma taxa de 6,3 mortes para cada 100 mil habitantes do sexo feminino. Espírito Santo (com 9,4 casos para cada 100 mil) e Alagoas (8,3/100 mil) lideram o ranking nacional.
Entre os 50 municípios de mais de 26 mil habitantes com mais casos de assassinatos de mulheres em relação à população, cinco são paranaenses. Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ocupa o segundo lugar na classificação, com 11 mulheres vítimas de homicídio e taxa de 24,4 casos por 100 mil habitantes.


