Vacinação contra hepatite B é ampliada
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Caminhoneiros, manicures, pedicures, podólogos, lésbicas, bissexuais, gestantes após o terceiro mês de gravidez, travestis e portadores de doenças sexualmente transmissíveis e do sangue já podem receber, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra a hepatite B. O Ministério da Saúde (MS) ampliou os grupos prioritários - que incluem ainda as populações de assentamentos e acampamentos - e o total de unidades públicas para receber a imunização da doença. No Paraná, as doses já estão disponíveis em todos os municípios.
No Paraná, 627 casos foram notificados somente este ano, segundo dados preliminares da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). De acordo com o MS, a imunização contra a hepatite B é uma das principais medidas de prevenção, uma vez que, após as três doses necessárias, mais de 90% dos adultos jovens e 95% das crianças e adolescentes ficam imunes à doença.
A vacinação gratuita antes era restrita a alguns grupos e faixa etária (veja quadro). Em Curitiba, eram imunizadas cerca de 6,5 mil pessoas ao mês, a maior parte bebês recém-nascidos. Segundo a técnica em enfermagem da Sesa, Noemi Meireles da Silva, a escolha dos novos grupos prioritários é baseada na vulnerabilidade dessas pessoas, por estarem mais expostas as formas mais comuns de contágio.
A hepatite B é transmitida pelo sangue, esperma e secreção vaginal. A contaminação pode ocorrer pela relação sexual desprotegida ou pelo compartilhamento de objetos contaminados, como lâminas de barbear e de depilar, escovas de dente, equipamentos de manicures e podólogos, materiais para colocação de piercings e para confecção de tatuagens. Também há exposição quando usuários de drogas compartilham instrumentos. A transmissão pode ocorrer, ainda, da mãe infectada para o bebê.
De acordo com a enfermeira sanitarista da Sesa, Lucia Helena Bisetto, as doses já foram disponibilizadas a todos os municípios do Estado. No entanto, a estratégia de imunização e controle dos novos grupos prioritários ficou a cargo das administrações de Saúde de cada cidade. ''Como são grupos mais difíceis de serem identificados, o município pode pedir documentos que comprovem a profissão da pessoa para não perder o controle''. Ela recomenda que o interessado telefone antes ao posto de saúde para se informar se a vacinação está sendo feita lá ou em uma unidade especializada.
O MS também deve anunciar, no próximo mês, a ampliação da vacinação contra a hepatite B para a faixa etária entre 20 e 29 anos. A intenção é, gradativamente, atingir toda a população.
Segundo o presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia, Alceu Fontana Pacheco, nos casos de transmissão vertical (mãe-filho), as chances da doença se desenvolver na forma crônica são de 90%. Quando a infecção acontece em adultos, cerca de 10% desenvolvem a cronicidade. Desses, apenas uma parcela tem complicações como câncer de fígado ou cirrose.


