Vacina sob suspeita é recolhida no País
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Agência Estado, de Brasília 
Arquivo FolhaRetestagemUma segunda bateria de testes revelou problemas em lotes da vacina O Ministério da Saúde determinou ontem a suspensão da aplicação de 3,6 milhões de doses da vacina DPT (contra coqueluche, tétano e difteria) em todo o País. A decisão foi tomada depois da informação que o imunizante, importado da Índia, estaria provocando reações alérgicas nos pacientes. Desde janeiro, 50 crianças apresentaram reações adversas, como febre alta e convulsão. O Instituto Nacional de Controle de Qualidade de Saúde (INCQs) da Fundação Oswaldo Cruz já concluiu que pelo menos três lotes de vacinas apresentam índice de toxicidade acima do normal. Estão sendo providenciadas duas milhões de doses na tentativa de evitar que a vacinação nos postos seja interrompida.
Os Estados de Santa Catarina, Goiás, Ceará, Pernambuco, Roraima, Alagoas, Maranhão e Piauí tinham apenas vacinas indianas em seus estoques. Por isso, receberão 400 mil doses da tríplice produzida pelo Instituto Butantã, de São Paulo, com entrega já prevista para hoje. Mais 600 mil doses serão produzidas até o final do mês. O ministério está tentando obter mais um milhão de doses junto ao estoque do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), perfazendo o total necessário para um mês de vacinação no Brasil.
Uma compra emergencial de seis milhões de doses - para abastecer o País até o final do ano - também está sendo providenciada, e o Butantã deverá entregar ainda dez milhões de doses este ano. O Estado de São Paulo recebeu mais de 600 mil doses da vacina indiana, mas, segundo o ministério, já havia comprado vacinas por conta própria e ainda tem estoques do Butantã.
As vacinas indianas foram testadas e liberadas pelo INCQs antes de serem enviadas aos estados, com rejeição de apenas um lote. Em janeiro, diante da notícia de que algumas crianças estavam apresentando reações, a Fundação Nacional de Saúde determinou que fosse feita uma retestagem, desta vez com um número maior de amostras, quando foram detectados problemas em outros dois lotes, que continham 1,8 milhão de doses. Até aqui o ministério trabalha com a hipótese de que a associação com fosfato de alumínio, utilizado na composição da vacina, tenha causado o problema.
Outros lotes estão em teste, e os resultados saem amanhã. De qualquer forma, suspendemos todos os lotes preventivamente, informou ontem a presidente da Funasa, Elisa Vianna Sá. O INCQs faz os testes orientado por normas internacionais, mas, diante das diferenças de resultados a partir da utilização de um número maior de cobaias, o ministério está requisitando à Organização Mundial de Saúde (OMS) a revisão dessas normas.
A presidente da Fundação não escondia sua preocupação com a possibiidade de o programa de imunização perder a credibilidade junto à população e afirmou que os pais devem continuar levando seus filhos aos postos a procura das vacinas do Butantã.


