BRASÍLIA - As crianças que tomaram as três doses da vacina tríplice recolhida ontem pelo governo - inclusive as que apresentaram reações adversas - estão imunizadas contra tétano, coqueluche e difteria e só precisam tomar a dose de reforço para concluir a imunização.
‘‘Os pais podem ficar sossegados porque a vacina não teve nenhum problema em termos imunológicos. Ela foi recolhida porque sua toxidade era excessiva e isso estava causando reações adversas em proporção acima da esperada’’, disse Maria de Lourdes de Sousa Maia, imunologista da Fundação Nacional da Saúde.
O governo federal determinou anteontem que Estados e municípios recolhessem 3,6 milhões de doses da DPT (tríplice) importadas da Índia e que já estavam nos postos de saúde, porque sua toxidade estava acima do normal. Segundo a fudanção, os lotes condenados foram apreendidos ontem mesmo e já estão fora de circulação. ‘‘Os pais podem levar seus filhos para vacinar com segurança, porque as vacinas que sobraram não causam perigo algum’’, disse.
Os sintomas de reação à vacina aparecem até 48 horas após a aplicação da dose. Eles só devem preocupar os pais se forem sintomas fortes, como febre acima de 40 graus e abscessos no local da aplicação. ‘‘Febre branda e dor leve não devem preocupar ninguém porque são sintomas previstos’’, explica a imunologista.
Ao todo, o governo brasileiro gastou R$ 1,1 milhão com a compra de seis milhões de doses de tríplice importadas da Suíça (do Serum Institute) e cinco milhões da Índia (do Indian Institute). Pelo menos dez milhões de doses estavam inadequadas para uso e foram recolhidas.
Outras 810 mil doses da vacina indiana ainda estão sendo testadas. Se também estiverem com toxidade acima do normal, serão devolvidas ao Indian Institute. O contrato de compra firmado entre o governo brasileiro e os laboratórios suíço e indiano prevê que, caso as vacinas estejam em condições inadequadas para consumo, os fornecedores têm de aceitá-las de volta e fornecer novos lotes sem problemas.
‘‘Ou eles fabricam novas doses, que passem pelo controle de qualidade, ou então vão comprar de outros laboratórios para repor o que tivemos de devolver.’’ Não há no contrato prazo para a restituição. Por isso, o Ministério da Saúde já está providenciando a compra de seis milhões de doses em caráter emergencial, dispensando a necessidade de licitação. As vacinas indianas e suíças foram liberadas antes de serem concluídos os testes porque o País corria risco de desabastecimento.

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