Vacina previne 70% dos cânceres de colo de útero
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de outubro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Duas vacinas contra o HPV (papilomavírus humano), doença sexualmente transmissível e principal causa do câncer de colo de útero, devem chegar ao Brasil até o final de 2007. Uma delas, chamada Gardasil, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto e deverá estar disponível na rede privada até o final do ano. Uma segunda vacina promete entrar no mercado no ano que vem. Chamada Cervarix, e desenvolvida pela Glaxo SmithKline, a vacina está em fase de pesquisas, mas estudos já mostram que essa versão européia pode prevenir 80% dos cânceres de colo
de útero, resultado mais abrangentes do que a Gardasil, que protege contra 70% dos cânceres.
Os resultados das pesquisas das duas vacinas foram apresentados a cerca de 2,8 mil especialistas participantes do Congresso Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis, realizado em Santos (SP), mês passado. Segundo o médico Newton Sérgio
de Carvalho, professor do
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que realiza pesquisas da Cervarix no Paraná, os estudos apontam duas vantagens
dessa vacina: efetividade mais longa e proteção estendida
a outros tipos do HPV. Os
resultados, segundo ele, já
foram publicados na revista médica Lancet Oncology, da Inglaterra.
Existem mais de cem tipos de HPV. A maioria não causa sintoma e desaparece sem tratamento. Outros produzem verrugas genitais e os mais perigosos produzem lesões que levam ao câncer. A vacina Gardasil, fabricada pelo laboratório Merck Sharp & Dohme, de origem americano, protege contra quatro tipos: as versões 16 e 18, que são responsáveis por 70% dos cânceres de colo de útero, e os tipos 6 e 11, que respondem por mais de 90% das verrugas genitais. Esses dois tipos também podem alterar os resultados dos testes Papanicolau e de lesões benignas no colo
do útero.
A vacina da Glaxo também foi desenvolvida com objetivo de agir contra os tipos 16 e 18. Testes realizados com mulheres de vários países, no entanto, mostraram que a vacina protegeria também contra mais dois grupos de HPV, o 31 e 34, responsáveis por cerca de 10% dos cânceres de colo de útero. Com isso, segundo Carvalho, seu nível de proteção abrange 80,3% dos tipos de cânceres.
A vacina quádrupla, da Merck, não resultou em proteção estendida, diz o pesquisador, explicando que apesar de serem desenvolvidas com o mesmo objetivo. As duas vacinas têm tecnologia diferenciadas. Outra característica positiva apresentada pela vacina da Glaxo refere-se ao nível de imunogenecidade. A vacina apresentou tempo de efetividade de quatro anos e meio, superior ao tempo de ação da vacina americana.
A expectativa é que a Glaxo dê entrada, no início de 2007 com pedido de aprovação da vacina junto ao Eméia, agência que regula drogas e fármacos na Europa. A vacina da Mercke já tem a aprovação da FDA, a agência americana.


