Vacina pode reduzir casos graves em até 93%
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terça-feira, 24 de maio de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
A primeira vacina contra a dengue no Brasil, aprovada em dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), deve ser disponibilizada em breve nas clínicas particulares do País. A expectativa é da diretora médica do laboratório Sanofi Pasteur no Brasil, Sheila Homsani. Desde a aprovação do produto, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) analisa o material para definir os preços para a comercialização das doses na rede particular. "Como eles já têm trabalhado nisso há muito tempo, muito possivelmente a gente vai ter uma posição até o final deste semestre", estimou.
Conforme Sheila, a vacina foi desenvolvida pelo laboratório francês nos últimos 20 anos. "Foram 40 mil pacientes e 25 estudos em 15 países. Conseguimos ver a diferença de resposta entre os países, entre as diferentes idades e entre quem tinha e quem não tinha tido dengue, por exemplo. Tivemos uma amostra muito robusta dos dados", detalhou. As doses protegem contra os quatro sorotipos do vírus da dengue e a eficácia é de, aproximadamente, 66%. "Essa é uma eficácia como a da vacina contra a gripe que existe hoje no programa nacional de imunizações e na rede privada. Essa eficácia já é suficiente para ter impacto em saúde pública porque é importante reduzir em massa o número de casos", ressaltou. Cerca de 3,7 mil voluntários de Campo Grande, Goiânia, Natal, Fortaleza e Vitória participaram da pesquisa.
Os estudos feitos pelo laboratório apontaram para a redução de 81% no número de internações em razão da dengue e a diminuição de 93% na quantidade de casos graves da doença. As doses já começaram a ser aplicadas nas Filipinas e no México. Apenas pessoas entre 9 e 45 anos podem ser imunizadas. Três doses devem ser aplicadas, sendo uma a cada seis meses.
Entre os efeitos colaterais estão reações leves como dores musculares e de cabeça. A vacina possui o vírus vivo enfraquecido e, por isso, não é indicada para gestantes, mulheres que estão amamentando, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que fizeram uso de corticoides por mais de duas semanas.
Ao todo, 500 mil vacinas foram trazidas ao Brasil e permanecem em um depósito até a precificação das doses. A fábrica na França tem capacidade para produzir 100 milhões de doses por ano. "De 390 milhões de pessoas infectadas todos os anos no mundo, só 96 milhões apresentam sintomas. O restante não tem sintomas. Quando essas pessoas pegam a dengue pela segunda vez, elas podem desenvolver os casos mais graves", alertou. Mesmo com a vacina, Sheila ressaltou que a remoção dos criadouros do Aedes Aegypti deve ser constante para eliminar o mosquito transmissor da doença.
O Paraná está entre os Estados que já demonstraram interesse em adquirir a vacina. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a expectativa é que a vacinação contra a dengue seja realizada a partir de julho. O Estado aguarda a divulgação dos preços para comprar as doses e estabelecer a estratégia da campanha de imunização. A assessoria do Ministério da Saúde informou que a precificação das doses deve ser definida em breve.


