Vacina inédita contra esquistossomose
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terça-feira, 12 de junho de 2012
Clarissa Thomé <br> Agência Estado 
Rio - O País deu um passo importante na direção da primeira vacina mundial contra parasitas. O Instituto Oswaldo Cruz (IOC), ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), concluiu os testes clínicos fase 1 da vacina contra esquistossomose. Os estudos demonstraram a segurança e a eficácia do produto, que induz a imunidade à doença. Se tudo correr bem, a vacina deve chegar ao mercado em quatro anos, depois que for testada em larga escala. A doença afeta 200 milhões de pessoas no mundo e é endêmica em 74 países, entre eles o Brasil.
''Avançamos de maneira muito significativa num ponto onde há uma lacuna enorme, que são as chamadas doenças negligenciadas. E isso está sendo feito dentro de um processo 100% nacional de pesquisa'', afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.
Os estudos, iniciados há 30 anos e liderados pela pesquisadora do IOC Miriam Tendler, identificaram que o verme transmissor da esquistossomose tem a proteína Sm14, responsável pelo transporte do lipídio - fonte de energia - do hospedeiro para o parasita. Os vermes não sintetizam o lipídio e morrem se essa proteína não atuar.
Ao ser inoculada no ser humano, a proteína estimula a produção de anticorpos e prepara o sistema imunológico para uma possível infecção. Se a pessoa imunizada tem contato com o verme, esses anticorpos neutralizam a Sm14 no parasita, que não sobrevive no organismo. Na primeira etapa, 20 voluntários - adultos e saudáveis - receberam três doses da vacina. A partir de janeiro, 266 crianças e mulheres serão inoculadas em áreas endêmicas no Brasil e na África.


