Vacina contra rotavírus chega ao Brasil
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terça-feira, 08 de novembro de 2005
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba A rede pública de saúde incorpora, a partir do ano que vem, ao calendário de imunização do Ministério da Saúde, a vacina contra o rotavírus. Esse vírus é responsável pela morte de mais de 400 mil crianças por ano no mundo, explica o infectologista Nelson Szpeiter, responsável pela área de vacinas do Laboratório Frischmann Aisengart, de Curitiba. Segundo ele, o rotavírus é a principal causa de infecção intestinal aguda em crianças, provocando febre, vômitos e diarréia. Em casos mais graves, pode levar à morte por desidratação. Os sintomas se manifestam após três ou quatro dias, persistindo até uma semana.
Na rede privada, muitos laboratórios já começam a oferecer a vacina, que é novidade no Brasil. No Frischmann Aisengart, as doses estão disponíveis desde ontem e cada uma custa cerca de R$ 250,00. Nos postos de saúde municipais a vacinação será gratuita.
Szpeiter lembra que há cerca de quatro anos um tipo de vacina contra o rotavírus foi lançada nos Estados Unidos, mas ela causava obstrução intestinal. Essa nova vacina que chega ao Brasil não traz esse efeito colateral. Ela protege contra os sorotipos G1, G2, G3, G4 e G9. São aplicadas duas doses até os seis meses de idade. A primeira entre 6 e 14 semanas e a segunda, entre 14 e 24 semanas de vida do bebê. Não é indicada para adultos, frisa Szpeiter.
O infectologista lembra que os principais sintomas do rotavírus são diarréia aguda líquida, vômito, febre e dor abdominal. A preocupação maior é com as crianças menores. Por causa da fragilidade, elas são mais suscetíveis aos sintomas, especialmente aquelas com idade abaixo de dois anos. Nos países em desenvolvimento, em média, 30% das hospitalizações por diarréia infantil estão relacionadas ao vírus.
O rotavírus também pode atingir adultos, porém é mais raro. A transmissão acontece principalmente através da contaminação de água, alimentos e objetos, pois o vírus é eliminado pelas fezes das pessoas doentes. Há possibilidade da transmissão ocorrer por via respiratória mas essa tese ainda não está comprovada.
Ronaldo Trevisan, chefe do Departamento de Vigilância Sanitária em Produtos e Alimentos, da Secretaria Estadual de Saúde, lembra que é comum o rotavírus acometer populações fechadas, como as crianças de uma mesma creche. Segundo ele, acredita-se que 100% das crianças de todo mundo, com idade até cinco anos, já foram infectadas pelo rotavírus. Este ano, lembra Trevisan, sete surtos de rotavírus foram identificados no Paraná. O surto se caracteriza quando duas ou mais pessoas dentro de uma mesma escola, creche ou domicílio apresentam a doença. Mas certamente o número de casos deve ser maior porque aqueles que não são caracterizados como surto, acabam não sendo registrados pela Secretaria de Saúde. Trevisan lembra que há alguns anos aconteceu uma grande epidemia nacional, que acabou alertando o Ministério da Saúde para o problema.


