Vacina contra gripe aumenta capacidade de defesa do organismo dos idosos, revela pesquisa
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 31 (AE) - Resultados preliminares de uma pesquisa do Núcleo de Estudos Sobre o Envelhecimento e a Saúde da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que as vacinas contra a gripe e pneumonia aumentam em até três vezes a capacidade de defesa do organismo dos idosos e podem ajudar na redução da mortalidade nessa faixa etária. Os números foram divulgados hoje, durante o 1º Fórum de Vacinação para a Terceira Idade, realizado no Rio.
A pesquisa está sendo feita com os 380 idosos do Abrigo Municipal Cristo Redentor, na capital fluminense. Antes de receberem as primeiras doses das vacinas, os idosos foram submetidos a exames de sangue que avaliaram a capacidade de defesa de seus organismos aos vírus da gripe e da pneumonia. Eles receberam as vacinas em maio do ano passado e, um mês depois, foram submetidos a novos exames de sangue. "Não temos ainda todos os resultados tabulados, mas os primeiros dados comparativos mostram que a capacidade de defesa aumentou de duas a três vezes", afirmou o médico André Junqueira Xavier, que trabalha no abrigo.
A mortalidade dos idosos que, no abrigo, costuma ser de 6% por semestre, caiu para 3,8% nos últimos seis meses. "Isso não quer dizer que as pessoas morressem necessariamente de gripe ou pneumonia", ressaltou Xavier. "Mas, ao pegarem essas doenças, ficam mais debilitadas".
Especialistas presentes ao encontro foram unânimes em defender as vacina. Eles lembraram, no entanto, que a eficácia do produto varia entre 80% e 89%. "A vacina também não garante uma cobertura para o resto da vida do paciente", ressaltou o presidente da Sociedade Brasileira de Tisiologia e Pneumologia, Mauro Zamboni.
"O vírus é atenuado", disse a secretária geral da Sociedade Brasileira de Geriatria, Elizabete Viana. O geriatra Paulo Gomes lembrou ainda que a vacina não combate o vírus já inoculado. "Se o vírus já está incubado, apesar da vacina o paciente pode desenvolver a doença", afirmou Gomes.


