Vacina contra gripe A divide Estado e União
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Anelise Faucz<br>Equipe da Folha 
Curitiba - União e Estado não se entendem no cumprimento da liminar que massificou a vacinação contra a gripe A (H1N1) no Paraná. Enquanto o representante da Procuradoria da União em Curitiba entende que a liminar está em vigor e transfere para o Paraná a responsabilidade de ceder as doses a todos que forem às unidades básicas, a Secretaria Estadual de Saúde espera um reforço do Ministério da Saúde para executar o calendário estendido para todas as idades. ''Acredito que o cidadão que for ao posto de saúde não deixe de ser vacinado. A liminar está em vigor'', afirma o chefe de gabinete da Procuradoria da União no Paraná, Gilmar D'Ere.
Procurdo pela reportagem, o secretário de estado da Saúde, Carlos Moreira Júnior, disse que divulgar essa informação seria ''desserviço'' à população no Paraná, pois não será autorizada a aplicação das doses em toda a população, uma vez que não há doses suficientes. ''Não posso deixar de vacinar uma criança para vacinar qualquer um'', disse.
Quando questionado sobre o relatório de vacinação da Sesa, que divulga já ter superado 100% da população de zero a dois anos, Moreira diz se tratar de uma estimativa. Quanto aos óbitos já ocorridos no Estado, em decorrência da gripe A, também divulgados no relatório da Sesa, a maior incidência de mortes está justamente na população não contemplada pelo calendário da União.
Já o governador Orlando Pessuti garantiu ontem à FOLHA que continuará pleiteando as doses da vacina junto ao MS.
A reportagem apurou que boa parte dos postos de saúde de Curitiba está aplicando doses da vacina em pessoas fora da faixa etária estabelecida pela União. Numa tentativa de inserir-se na campanha de vacinação, muitos têm se apresentado nas unidades públicas de saúde como sendo portador de hipertensão, renite, asma ou bronquite crônicas.


