SAÚDE Vacina contra febre amarela mata mulher Morte ocorreu cinco dias após imunização; Secretaria de Saúde deve suspender campanha de vacinação em massa em Americana (SP) Agência Estado Clayton Levy De Campinas Laudo do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, divulgado ontem, revela que a morte da paciente Katy Cristina Ramos, de 22 anos, foi causada pela vacina contra a febre amarela. A mulher, que residia em Americana, morreu no dia 27 de fevereiro, no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cinco dias depois de ser imunizada durante a campanha de vacinação em massa realizada pelo governo estadual. Técnicos da Secretaria Estadual de Saúde ficaram de decidir ontem se a campanha seria ou não suspensa. ‘‘Não há mais dúvidas de que a morte da paciente está diretamente relacionada à vacina’’, disse o diretor da Divisão Regional de Saúde (DIR) em Campinas, Marcelo de Queiroz Ramos. Segundo ele, o laudo do Instituto Adolfo Lutz informa que foram encontrados vestígios do vírus vacinal em todas as vísceras da paciente. Os exames também revelaram que Katy não apresentava nenhuma patologia anterior à vacina. Não há, na literatura médica, registro de outros casos semelhantes no mundo. A paciente recebeu a vacina no posto de saúde onde morava, no bairro Jardim Ipiranga, em Americana. Segundo relato de familiares, Katy passou a apresentar dor de cabeça, febre e dores pelo corpo um dia após receber a dose. Ela procurou atendimento no Hospital Municipal de Americana, onde o médico receitou analgésicos e a liberou. Como os sintomas persistiam, a paciente voltou por três vezes consecutivas ao hospital. No dia 25 de fevereiro o seu quadro agravou-se e ela foi levada para a UTI da Santa Casa de Misericórdia de Santa Bárbara Doeste e, de lá, transferida para o HC da Unicamp. Ao chegar a Campinas, a paciente já apresentava comprometimento dos rins, fígado e pulmões. Dois dias depois, ela morreu. A campanha de vacinação em massa atingiu cerca de dois milhões de pessoas na região de Campinas. A medida foi adotada pelo governo estadual, depois de ter sido registrado um caso da doença na cidade. ‘‘Diante desse fato, somos favoráveis à suspensão da vacinação’’, disse o diretor da DIR. A medida, porém, será discutida hoje com outros técnicos da Secretaria Estadual da Saúde.