Londrina - As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para adultos dos três grandes hospitais de Londrina estão lotadas, agravando ainda mais a situação da saúde pública no município. Vários pacientes recebem atendimento em leitos extras, nem sempre em condições ideais.
Na Santa Casa, todos os 36 leitos da UTI estavam ocupados ontem à tarde. Outros quatro pacientes eram atendidos em leitos extras, instalados no Pronto-Socorro (PS). Ainda no PS, 11 pacientes aguardavam vagas em quartos. Em virtude da lotação, o hospital restringiu o atendimento no PS e somente pacientes de emergência foram recebidos.
O Hospital Universitário (HU) também apresentava lotação em todos os 17 leitos da UTI. No Pronto-Socorro, 68 pacientes recebiam atendimento, sendo que quatro deles estavam entubados.
Já no Hospital Evangélico (HE) havia sete pacientes aguardando vagas em UTI – o setor estava com os 40 leitos ocupados. Apesar da lotação, o atendimento não foi suspenso no HU e HE.
Essa situação poderia ser amenizada com o início do atendimento da UTI 3 do HU. A unidade, com dez leitos, foi inaugurada em abril do ano passado, mas não foi aberta por falta de funcionários. Na sexta-feira, o Ministério Público (MP) em Londrina ajuizou uma ação pública com pedido de tutela antecipada contra o governo do Estado e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) pela superlotação da UTI adulto do HU.
O promotor da Saúde Pública, Paulo Tavares, pediu que em 20 dias, no máximo, seja dado início à contratação dos 70 profissionais que vão trabalhar na nova UTI e que em 45 dias a unidade entre em funcionamento. A ação estipula uma multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
"Esgotamos todas as esferas administrativas de negociação. O problema da superlotação vem desde 2012. Eles mesmos sempre nos informaram durante este período de pacientes entubados, com ventilação mecânica, nos corredores. A questão é antiga e não foi resolvida", ressaltou Paulo Tavares.
O promotor reconhece que a abertura desta nova UTI não resolveria de imediato a questão da falta de vagas nas Unidades e nos PS, mas amenizaria a questão. "Temos relatos que muitos atendimentos em virtude da falta de vagas na UTI foram feitos de forma precária e com queda de qualidade", frisou Tavares.
O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Marcos José Vieira, emitiu uma decisão na segunda-feira estipulando um prazo de 72 horas para que o governo e a UEL se manifestem a respeito da ação do MP.
A reitora Nádina Moreno informou que a UEL ainda não foi notificada oficialmente, mas que a Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) já foi informada da ação. Nádina ressaltou que UEL não tem como fazer a contratação de servidores sem uma autorização do governo.
"Há três semanas foi autorizada a contratação de 34 profissionais, mas com este número não dá nem para abrir parcialmente a UTI, com a metade dos leitos em funcionamento. E nesta autorização não há cargos de técnicos em enfermagem, administrativo, engenheiro eletricista e oficial de manutenção, que são funções obrigatórias por parte do Ministério da Saúde", explicou a reitora.
Nádina Moreno frisou que é impossível cumprir o prazo de 45 dias para colocar a unidade em funcionamento. "Poderíamos fazer testes seletivos temporários de forma emergencial, mas mesmo assim precisaríamos de um período entre 60 e 90 dias", ressaltou.

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