Londrina – Moradores das cidades de Cambé e Ibiporã que trabalham em Londrina viveram uma segunda-feira marcada por transtornos no transporte coletivo metropolitano. Com o início da greve dos funcionários da TIL Transportes Coletivos na manhã de ontem, os usuários enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho e voltar para casa e ainda tiveram que pagar a passagem de ônibus sem o uso do vale transporte.
Moradora de Ibiporã, Mirislaine Reis pagou R$ 5,00 para o transporte de van até o centro de Londrina, já que não encontrou ônibus de nenhuma empresa no início da manhã. "Os horários e os pontos de outras empresas são diferentes. Cheguei 40 minutos atrasada no trabalho", relatou.
Já a vendedora Adriana da Silva, moradora de Cambé, reclamou do pagamento das passagens de ida e volta sem a utilização do vale transporte com validade apenas para empresa TIL. "Eu paguei as passagens, que são mais caras em outras linhas e não vou ter reembolso. Além disso, tive que andar mais de três quadras para encontrar um ônibus para Londrina", comentou. No retorno para Cambé, ela criticou o número de ônibus disponíveis para atendimento dos passageiros. "Vou chegar uma hora depois em um ônibus lotado acima do normal."
A 6ª Vara do Trabalho convocou ontem representantes da empresa TIL e do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol) para uma audiência de conciliação com objetivo de intermediar a negociação. Até o fechamento desta edição, a reunião, que começou por volta das 19h, ainda não tinha sido encerrada.
Em nota enviada à imprensa, a TIL afirmou que estava "tomando todas as providências judiciais cabíveis para restabelecer o serviço" e que considerava a greve "ilegal" devido à paralisação de 100% da frota. No entanto, a 6ª Vara do Trabalho informou que o juiz Reginaldo Melhado só deve julgar o mérito após a tentativa de conciliação.

Cobradores

Os funcionários entraram em greve após a empresa afirmar que a proposta de reajuste salarial de 7,12% mais vale alimentação no valor de R$ 104 era viável desde que a TIL ficasse liberada da contratação de novos cobradores, mantendo o atual quadro de empregados.
O presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, argumentou que os 105 cobradores podem ser demitidos caso a proposta seja aceita. "Os motoristas teriam que acumular a função em troca de uma comissão de 1,5% do faturamento do veículo", acrescentou.
De acordo com ele, a empresa alegou durante as negociações que o reajuste da passagem, autorizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) a partir do início deste mês, seria insuficiente para atender o acordo firmado originalmente.
Silva ainda contestou a necessidade de manutenção de pelo menos 30% do serviço considerado essencial para atendimento da população. "Outras empresas também oferecem o serviço de transporte para os usuários em linhas que passam por Ibiporã e Cambé. Ou seja, a população tem opções durante a paralisação", rebateu.

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