A palavra de ordem no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, transcorrido ontem, foi conscientização. Especialmente no uso da camisinha nas relações sexuais. Mas, para o coordenador nacional de Doença Sexualmente Transmissível/Aids, do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira, o discurso tem uma variante: o vírus se propaga especialmente entre os viciados em drogas injetáveis, e também vem aumentando o caso de mulheres infectadas pelos maridos.

Paulo Teixeira voltou a afirmar que nos últimos dois anos houve redução de casos no Brasil, caindo de 20 mil para 15 mil ocorrências/ano. No entanto, a região Sul continua sendo motivo de preocupação devido ao aumento progressivo da Aids entre usuários de drogas. ''Precisam ser tomadas ações adicionais de reforço não só em locais específicos, mas em toda a região Sul'', disse o coordenador nacional.

Segundo ele, o Paraná apresenta um comportamento ''estável''. Esta é ''a cara da epidemia em todo o Brasil'', ou seja, ela está ocorrendo ''essencialmente'' através da transmissão heterossexual. O adicional no Estado é o alto consumo de drogas injetáveis e as consequências que atinge esse grupo.

O Ministério da Saúde, deverá reforçar a ação preventiva através do Projeto de Redução de Dano. Ele prevê desde o incentivo ao uso da camisinha até orientações sobre a esterelização e limpeza dos utensílios utilizados e troca de seringas descartáveis por aquelas já utilizadas.

O MS não tem projeções sobre a evolução de contaminação da Aids no Brasil para esta década, ''exatamente porque nossa epidemia está mostrando sinais de regressão'', explicou Paulo Teixeira.

Segundo o coordenador, em 1992 a estimativa era de que o País teria no final do século 1 milhão e 200 mil infectados. Em 2000 havia 550 mil. ''Estamos sempre tendo número menor do que o previsto. Se isto continuar nos próximos dez anos esperamos que a redução seja ainda maior. Portanto, fica difícil de estimar'', afirmou.

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