Apesar da avaliação positiva que o governador Jaime Lerner (PFL) e o secretário de transportes Nelson Justus fazem das obras executadas pela Rodonorte na BR-376, usuários criticam a lentidão dos serviços. Foram apenas 4 km de duplicação, executados a partir de 1997, quando a rodovia foi privatizada.
Para o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Apucarana e Região, Manoel Soares de Brito, a situação da BR-376 é absurda. ‘‘A tarifa de pedágio foi majorada de forma arbitrária, sem que houvesse sido liberado um único trecho de duplicação da rodovia’’, lembrou Brito.
O sindicalista frisou que os usuários estão pagando caro e as obras prometidas só ameaçam aparecer em tempos de campanha eleitoral. ‘‘É bem provável que só no próximo ano, quando haverá eleição para governador, deputados e senadores, as obras vão acontecer em ritmo acelerado’’, arrisca dizer Manoel Soares de Brito.
Lerner e sua comitiva vistoriaram na última sexta-feira o trecho duplicado, no início da Serra do Cadeado, no sentido norte-sul, em Mauá da Serra (60 km ao sul de Apucarana). Ele manifestou-se satisfeito com o que viu e, principalmente, com o compromisso da Rodonorte de duplicar mais 10 km até novembro deste ano, e mais 85 km (até Imbaú) em 2002.
Nas explicações dadas ao governador, assessores e jornalistas que acompanharam a vistoria, o diretor-presidente da Rodonorte, Maurício Soares Vasconcellos, argumentou que o volume de recursos necessários para a execução das obras previstas, é muito alto. ‘‘Só o caixa do pedágio não será suficiente, vamos precisar buscar outras fontes de recursos’’, comentou, anunciando que até 2002 serão investidos cerca de R$ 300 milhões em obras no lote 5.
Para o governador, a concessionária recuperou o que estava em atraso, no cronograma de obras definido pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
Questionado sobre a lentidão da obra, com apenas 4 km duplicados em três anos, Lerner defendeu a Rodonorte, justificando que a rodovia melhorou bastante. E foi mais além, dizendo que ‘‘em muitos pontos a restauração executada é quase uma obra nova’’.
Lerner garantiu que, no próximo ano, as concessionárias do Anel de Integração irão restaurar 700 km de rodovias e duplicar mais 246 km, oferecendo 16 mil empregos diretos. Ele prometeu ainda que, a partir de agora a cobrança do Estado em relação ao cronograma de obras será mais rigorosa e intensa, com a criação da agência reguladora.
Em junho de 1998, quando estava em campanha pela reeleição, o governador Jaime Lerner, acompanhou o início das obras deste mesmo trecho de duplicação da rodovia. Na época, ele e o ex-secretário de transportes Heinz Herwig, subiram numa máquina e posaram para fotógrafos e cinegrafistas, comemorando o início da duplicação da Rodovia do Café.
Em período de disputa eleitoral, placas instaladas ao longo da rodovia, sugeriam que a duplicação do lote 5 do Anel de Integração (Curitiba-Apucarana), estaria concluída em 3 anos. O prazo vence em junho deste ano.
Três meses antes de esgotar-se o período previsto, o governador voltou ao local para vistoriar o primeiro trecho da duplicação, que tem apenas 4 quilômetros de extensão e ainda não está liberado em sua totalidade.
Resta a execução de um trecho de 90 metros onde a obra foi interrompida por falta de autorização do governo federal para que o Estado pudesse desapropriar o terreno por onde passará a rodovia duplicada. O terreno pertence a Ana Bento Dobbis, 82 anos, que continua morando no local, em uma casa de madeira.
Na última semana, diretores da Rodonorte informaram que a autorização da União já foi liberada e que, a partir de agora, se iniciará o processo de desapropriação e desocupação da área.
Revistas e folders que compõem o material de propaganda da concessionária relatam apenas que ‘‘seguem as obras de duplicação da BR-376, iniciadas próximo ao posto da Polícia Rodoviária’’ e que ‘‘em 2001 e 2002 serão duplicados novos trechos’’. A empresa omite a informação de que no período de 3 anos foram executados obras de duplicação em apenas 4 km de extensão da rodovia.

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