São Paulo, 22 (AE) - O Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) decidiu hoje utilizar o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como um elemento a mais no processo de seleção dos novos alunos, podendo elevar a nota do estudante no vestibular. O Conselho de Graduação da universidade já havia acenado para essa possibilidade na última reunião, há um mês. Mas um recurso dos alunos, requerido na Pró-Reitoria de Graduação, suspendeu temporariamente a decisão.
Na representação no Conselho Universitário (CU), os alunos alegam que o uso do resultado do exame era uma resolução importante para ser determinada pelo Conselho de Graduação (CG), uma instância menor que o CU. "Além disso, a comunidade acadêmica não participou das discussões sobre a adoção do Enem"
afirmou o representante dos estudantes no CU, José Carlos Massonetto Júnior. Os alunos também se mostraram preocupados com o fato de o exame excluir os carentes. "Os estudantes de escolas particulares terão mais chance de ter notas melhores", disse Massonetto Júnior.
O CU, com 105 membros, é formado por diretores dos institutos e representantes dos professores, dos alunos e dos funcionários. Na reunião do CU, realizada hoje, o recurso dos alunos foi rejeitado por 49 votos a 41, com 2 abstenções e 13 ausências. Os defensores do Enem também usaram o argumento da exclusão para apoiar o exame. "O Enem pode ser uma chance a mais aos alunos carentes de acesso à universidade pública", argumentou a pró-reitora de Graduação, Ada Pellegrini Grinover. "Isso porque o exame é opcional e só será usado se servir para aumentar a nota do aluno", explicou Ada. Nova proposta - Segundo Massonetto Júnior, a representação dos alunos vai acatar a decisão e avaliar o uso da experiência no vestibular. "Os estudantes devem reunir-se após o vestibular e apresentar uma nova proposta que torne o acesso à universidade pública mais democrático", anunciou.
Exame - O Enem foi instituído no ano passado pelo Ministério da Educação (MEC) para avaliar as habilidades e competências desenvolvidas pelos alunos durante a educação básica. Podem fazer a prova os alunos que estão concluindo o ensino médio. As inscrições para o exame deste ano terminam dia 25 e podem ser efetuadas nos Correios. A taxa é de R$ 20,00. Vinte e cinco instituições de ensino superior vão usá-lo como instrumento para seleção. Em algumas instituições, o Enem substituirá o vestibular.
O Enem está marcado para o dia 29 de agosto e será realizado em 162 municípios, incluídas todas as capitais. Quem já concluiu o segundo grau em anos anteriores também pode participar. O desempenho dos alunos será avaliado por meio de duas provas: uma de conhecimentos gerais, composta de 63 questões objetivas, e outra de redação. Benefícios - Ainda é incerto o número de estudantes que serão beneficiados pela adesão da USP ao Enem. Para o vice-diretor da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), José Atílio Vanin, essa mudança só terá impacto se mais de 20 mil alunos optarem pelo uso do resultado do exame. "Se uma porcentagem menor de alunos participar, não haverá alteração no processo de seleção", explicou Vanin. "Isso porque a nota do exame, que servirá para aumentar a nota final do vestibular, vai diluir-se entre a de todos os candidatos", acredita.
Vanin salienta ainda que o exame de 1998 foi difícil e, se o MEC repetir a dose este ano, o resultado também não trará impacto. No ano passado, 140 mil estudantes brasileiros fizeram o Enem. Em São Paulo, apenas 5 mil se inscreveram. O Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC responsável pelo exame, espera a participação de cerca de 500 mil alunos este ano.

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