USP testa células-tronco em cães
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sábado, 04 de dezembro de 2004
Roberta Pennafort<br>Agência Estado 
Rio- Pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e da Faculdade de Veterinária da Universidade de São Paulo estão testando em cães uma terapia para distrofia muscular. E depois, caso os resultados sejam positivos, usá-la em humanos. No País há mais de 200 mil pessoas com a doença degenerativa.
Os pesquisadores injetaram células-tronco retiradas de cordões umbilicais e do sangue de recém-nascidos em cachorros com distrofia para investigar se elas são capazes de regenerar os músculos. A suspeita é que as células-tronco possam produzir a distrofina, proteína localizada na membrana de músculos saudáveis e que falta nos distrofiados, o que faz com que degenerem.
Dos oito animais que fazem parte da pesquisa (cinco filhotes e três adultos), quatro já receberam as transfusões. Os cães são da raça Golden Retriever, escolhida por ter uma mutação genética que provoca uma distrofia parecida com a humana.
Se o resultado for positivo, a etapa seguinte será testar em homens e mulheres com distrofia. ''A terapia celular é uma das grandes esperanças para quem sofre de doenças degenerativas'', defende a geneticista Mayana Zatz, que apresentou o trabalho desenvolvido com os cães durante o seminário Células-tronco e Terapia Celular, promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Os cachorros estudados são mantidos num canil no campus da USP. As injeções foram feitas no início do ano. Os efeitos serão verificados no ano que vem, quando os pesquisadores farão biópsias para verificar o comportamento dos músculos.
As dificuldades para fazer o trabalho são muitas, segundo Mayana Zatz. É preciso, primeiro, que nasçam filhotes com distrofia (a reprodutora é uma cadela portadora da doença). Não é fácil encontrar cães compatíveis para a transfusão. Além disso, é necessário esperar por uma nova ninhada para que se tente mais uma vez. Na hora de retirar o material, só é possível extrair uma pequena quantidade de sangue (cerca de cinco mililitros, quando em bebês a quantidade é de até 100 mililitros).
Existem mais de 30 tipos de distrofia muscular, problema que ocorre em uma em cada 2 mil pessoas.


