USP-Ribeirão vai certificar genéricos
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 11 (AE) - A Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, deve começar a certificar medicamentos genéricos no segundo semestre em seu recém-criado Centro de Estudos de Biodisponibilidade e Bioequivalência. Atualmente apenas a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está autorizada a fazer os testes.
O laboratório da USP em Ribeirão vai fornecer laudos para as indústrias farmacêuticas. Segundo a assessoria de imprensa da universidade, o Ministério da Saúde repassou R$ 1 milhão para investimentos no local. A Faculdade de Farmácia da USP informou ter sido procurada por várias indústrias da região que produzem ou pretendem produzir medicamentos genéricos.
A principal indústria é a Glicolabor que já está fabricando pelo menos dois genéricos para hipertensos e aguarda autorização do Ministério da Saúde para produzir outro. A empresa é controlada desde outubro de 98 pela Biossintética, que está investindo na construção de uma unidade de biotecnologia avançada em Ribeirão Preto, em parceria com o laboratório Sidus, argentino. Para a Glicolabor, a Biossintética reservou R$ 8 milhões no último ano apenas para o desenvolvimento dos genéricos .
"A linha de medicamentos genéricos é prioridade da empresa", disse o diretor-superintendente Saulo Ignácio. Segundo ele, a Glicolabor espera, com o crescimento no mercado de genéricos, repetir o aumento de 65% em seu faturamento, registrado no ano passado sobre 98.
Com investimentos de R$ 25 milhões, a Biolatina, a joint-venture entre a brasileira Biossintética e o laboratório argentino Sidus, assina amanhã (12) em Ribeirão Preto, contrato de instalação de uma unidade no município. A prefeitura cedeu área de cem mil metros quadrados para a instalação da fábrica, que será a primeira de biotecnologia avançada a se instalar no Brasil. Os dois grupos vão investir R$ 1 milhão cada e solicitaram R$ 23 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A fábrica vai gerar 250 empregos diretos e cerca de mil indiretos.
A linha de produção deverá começar a produzir em 2002. Segundo o vice-presidente da empresa, Omilton Visconde Júnior, inicialmente a unidade deverá atender apenas o mercado interno e Mercosul, devendo ampliar depois sua área de abrangência para Estados Unidos e Europa.
Pesquisa - Visconde disse ainda que a fábrica também vai destinar uma área de dois mil metros quadrados para a instalação de um centro de pesquisas, que deverá atuar em parceria com a USP e Unicamp. Entre os produtos que passarão a ser fabricados pela unidade em Ribeirão estão hormônios de crescimento e vacina contra hepatite B, atualmente importados pelo Brasil.


