São Paulo, 27 (AE) - O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Jacques Marcovitch, assinou portaria hoje proibindo o trote em toda a universidade. "A universidade deve promover a mudança de cultura e banir o trote violento, abusivo e lesivo à dignidade humana", disse Marcovitch no documento. O aluno que desobedecer à determinação poderá ser expulso ou suspenso.
A determinação é consequência da morte do calouro da Faculdade de Medicina da USP Edison Tsung Chi Hsueh na piscina do Clube da Associação Atlética Acadêmica Osvaldo Cruz. No dia 22 de fevereiro, os veteranos da faculdade fizeram um churrasco no clube e aplicaram trote nos calouros. No dia seguinte, Hsueh foi encontrado morto na piscina.
De acordo com a portaria, não será tolerado nenhum tipo de manifestação estudantil que cause, a quem quer que seja, agressão física, moral ou outras formas de constrangimento, dentro ou fora da universidade.
Punições - A prática de tais atos será considerada falta grave
levando à aplicação das punições de expulsão ou suspensão previstas no regime disciplinar da universidade, após processo administrativo, segundo a portaria.
As manifestações de recepção a novos alunos, em todas as unidades e em todos os campus, deverá estar integrada à Semana de Recepção aos Calouros.
O reitor assinou a portaria com base na moção aprovada pelo Conselho Universitário, que se reuniu hoje. Em suas considerações, Marcovitch afirma que a proibição se deve "a observância dos valores de civilidade e o respeito à dignidade humana que devem ser cultivados na universidade." Entende também que "a recepção dos ingressantes deve se fazer num clima de congraçamento e respeito."
A Faculdade de Medicina da USP fez uma pesquisa com os calouros sobre o trote aplicado. Cada um relatou por escrito, sem se identificar, suas impressões sobre o trote. De acordo com a faculdade, a análise dos manuscritos revelou que 90% dos alunos "consideraram o trote inofensivo e de bom gosto".
Depoimentos - Quatro estudantes foram ouvidos ontem pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Três deles, dois homens e uma mulher, disseram que o trote não foi violento. Também afirmaram não ter visto Hsueh na piscina. A quarta testemunha, um homem, disse que não participou do churrasco, mas afirmou ter encontrado Hsueh no dia da matrícula. (Colaborou Marcelo Godoy)

mockup