O Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) inaugura hoje o maior centro de pesquisa genética da América Latina. Com as novas instalações, o Centro de Estudos do Genoma Humano (CEGH) do IB ampliará suas atividades de pesquisa, ensino e extensão, concentradas sobretudo na área de doenças genéticas hereditárias. Isso significa ampliar o número de pesquisadores que se dedicam ao estudo dessas enfermidades e a duplicação do serviço de diagnóstico e aconselhamento genético oferecido pelo IB para famílias com essas doenças.
O centro também vai oferecer vários cursos de atualização em genética para médicos (de clínicos gerais a especialistas) e para professores de segundo grau. Promover um amplo debate sobre as questões éticas envolvidas nos possíveis usos dos conhecimentos genéticos estão entre os objetivos do CEGH.
Na área de pesquisa, os desdobramentos dos novo centro se articulam com os objetivos do Projeto Genoma Humano internacional. ‘‘A partir das doenças genéticas, vamos avançar no conhecimento da função dos genes, que é o próximo desafio do Projeto Genoma Humano’’, explica Mayana Zatz, professora-titular de genética humana e coordenadora do novo centro.
Há anos, os pesquisadores de sua equipe procuram
localizar as mutações genéticas responsáveis por graves doenças hereditárias. Para isso, comparam o DNA (ácido desoxirribonucleico) de pessoas da mesma família, saudáveis e portadoras do doença. ‘‘Nas diferenças, temos os genes suspeitos’’, explicou.
Nessa etapa, os pesquisadores recorrem ao GeneBank (o banco de dados do Projeto Genoma, que está sequenciando todo o DNA do ser humano) ‘‘O GeneBank nos fornece o mapa detalhado de como deveria ser a casa, ou seja, como deveriam ser as sequências de bases nitrogenadas daquele gene, o que possibilita encontrar os ’defeitos’ do mateiral que sequenciamos’’.
Uma vez identificado, o gene é clonado, ou seja, é recortado e introduzido em uma bactéria ou em células vivas cultivadas em laboratório para que estas produzam a proteína codificada por aquele gene.‘‘Dessa forma, podemos estudar como a proteína atua e, depois, como outros genes interagem com ela, o que nos permite entender porque uma mesma mutação pode levar a um quadro clínico grave ou leve’’, explica Mayana.
De imediato, no novo centro, a equipe de Mayana vai oferecer diagnóstico e aconselhamento genético pré-natal a mais de 200 pessoas a cada semana, com a mesma qualidade que os melhores centros do mundo. Quanto a dados moleculares, os pesquisadores do CEGH tem um imenso volume de informações acumuladas sobre pouco mais de 50 das cerca de 7 mil doenças hereditárias.
O novo centro custou R$ 1,2 milhão, financiados, em proporção semelhante, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq). Além dos mais modernos sequenciadores genéticos e outros equipamentos de ponta, o CEGH conta com laboratórios integrados a um auditório por um circuito interno de TV, conectado também à internet.

mockup