São Paulo, 17 (AE) - A Universidade de São Paulo (USP) vai promover uma espécie de vestibular para alunos de outras faculdades que queiram transferir-se para a instituição. Coordenada pela Fuvest, a pré-seleção será feita em julho, nas áreas de exatas, humanas e biológicas. A decisão foi tomada depois de um levantamento, inédito, sobre as vagas ociosas na universidade. De acordo com a pró-reitora de graduação da USP, Ada Pellegrini Grinover, das 7.600 vagas abertas todos os anos em 162 cursos, 1.500 estão ociosas, ou seja, quase 20%.
Até o ano passado, a universidade não conseguia fazer uma avaliação correta sobre o número de vagas ociosas. Tanto é que, em 2000, apenas 400 vagas foram abertas para transferência. "Não podíamos deixar que isso continuasse ocorrendo", afirmou. "É um desperdício de dinheiro público". Ada informou que existem vagas em todos os 162 cursos, mesmo nos mais procurados, como medicina. Pelos dados preliminares, a campeã em desistência é a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.
A pró-reitora acredita que, com o exame de seleção, o problema da ociosidade de vagas será resolvido. Mas não é só. Ada considera que o maior rigor no controle das vagas fará com que os alunos da USP sejam mais cuidadosos. "Agora, o estudante sabe que, se deixar o curso, certamente sua vaga será ocupada", completou.
Candidatos - Na primeira etapa do exame, serão selecionados três candidatos por vaga. A fase seguinte será feita pelas coordenações de cursos da USP. O edital com as regras para a pré-seleção será publicada entre maio e junho. Os candidatos terão de pagar uma taxa para realizar o exame e os aprovados poderão fazer a transferência e iniciar o curso na USP em 2001.
Avaliação - As universidades paulistas começaram a receber hoje os relatórios oficiais da avaliação de condições de oferta feita pelo Ministério da Educação (MEC). Reiterando a afirmação de que a postura do ministério foi aética ao divulgar os conceitos antes de enviá-los às escolas, a reitoria da PUC-SP anunciou que vai responder detalhadamente ao relatório.
Sem ter tido acesso ao relatório oficial, a diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Cleide Biancardi, disse hoje que ainda não sabe se a avaliação dos cursos de jornalismo foi "malfeita ou mal-intencionada".
O curso de jornalismo da Universidade Bandeirante foi avaliado menos de um ano depois de ter sido visitado pela comissão de reconhecimento. Na primeira avaliação, ficou com conceito B (um abaixo do máximo, A). O pró-reitor de graduação, Oscar Hipólito, disse que os CI agora obtidos são contraditórios.(Colaborou Cristina Charão)

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