USP e Embrapa lançam manual de peixes do Pantanal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 06 (AE) - Vinte e três anos de trabalho contínuo se passaram entre o primeiro esboço e o lançamento do livro "Peixes do Pantanal: Manual de Identificação", dos pesquisadores Heraldo Antônio Britski, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, USP (http://www.usp.br), Keve de Silimon e Balzac Santana Lopes do Centro de Pesquisas Ictiológicas do Pantanal MatoGrossense, Cepipam. O livro foi lançado oficialmente em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, no final de setembro, e ainda terá um lançamento em São Paulo, no próprio Museu de Zoologia, em algumas semanas.
A publicação foi muito além da simples pesquisa em coleções de museu: começou com dois ou três anos de coleta, em toda a área do Pantanal Matogrossense, enveredou por outros tantos anos de pesquisas taxonômicas, para identificação correta e minunciosa das características de cada espécie e chegou até a difícil fase da ilustração científica, uma área extremamente carente de bons profissionais brasileiros. Além dos autores, participou do trabalho um pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa Pantanal (http://www.cpap.embrapa.br), Agostinho Carlos Catella.
São 184 páginas com nome científico, nome comum, ilustrações e uma breve descrição de cada uma das 263 espécies de peixes pantaneiros, grandes e pequenos. Os peixes de maior porte e economicamente mais importantes estão em 40 aquarelas feitas por álvaro Evandro Xavier Nunes, autor também de 119 bicos de pena, que identificam espécies menores, mais os detalhes da anatomia dos peixes, que ilustram o glossário de termos técnicos, no final do livro. O artista fez as ilustrações com modelos vivos, mantidos em aquários na Embrapa Pantanal.
"Em algumas das coletas apareceram espécies de ocorrência nova no Pantanal", conta Britski. "E apareceu um peixinho, de fundo, com cerca de 10 centímetros, que se revelou não apenas uma espécie nova, mas um gênero novo". O peixe foi coletado há cerca de 10 anos e ainda está sendo cientificamente descrito, por isso não está no manual. Também não foram incluídas as espécies introduzidas, como o tucunaré da Amazônia. A única exceção é uma pescada de água doce, também da Amazônia, que hoje já chegou até o reservatório de Itaipu, no Paraná. Há uma ilustração sua, no livro, para explicar as diferenças morfológicas em relação a uma pescada pantaneira, muito parecida.
Maiores informações na Embrapa Pantanal, pelo telefone (67) 2311430 ou do endereço eletrônico [email protected]. O livro tem 34x26cm e custa 70 reais para os pescadores e pesquisadores interessados.


