De acordo com o neuropediatra Clay Brites, de Arapongas, antes de entrar com a Ritalina, a criança deve passar por uma avaliação por idade. ''Geralmente crianças até os quatro anos de idade tendem a ser mais agitadas. Mas o uso do medicamento só deve ser prescrito quando há uma associação da agitação com problemas de atenção e concentração, e esse conjunto gerar prejuízos afetivo, social e acadêmico'', afirma.
As pessoas em geral associam a Ritalina a crianças agitadas. E isso nem sempre é o correto, de acordo com o especialista. O TDAH, segundo Brites, deve ser tratado através de um tripé associativo de psicoterapia comportamental, abordagem pedagógica e medicamento. ''Mas muitos profissionais estão centrando foco na ritalina e esquecendo dessa abordagem. O sistema público, o sistema privado e o sistema familiar não querem mudar seus hábitos e os hábitos educacionais das crianças e têm lançado mão do medicamento de forma inoportuna'', critica.
Segundo ele, a Ritalina é um psicoestimulante cerebral seguro e eficaz, mas se usado indevidamente pode reduzir o apetite da criança e ocasionar problemas hormonais e cardíacos, além de causar dependência. ''Isso vai depender da dose empregada e do tempo de tratamento'', explica.
A Ritalina segundo Brites é preconizada pela Anvisa e pelo FDA (Food and Drug Administration) a partir dos seis anos de idade. ''Mas, muitos países já têm usado a Ritalina a partir dos quatro anos de idade.''
O tratamento, para 60% das pessoas que desenvolveram TDAH na infância, continuará pelo resto da vida. ''Apenas 40% das crianças que desenvolveram TDAH na infância podem melhorar na fase adulta'', afirma o especialista. (Kalinka Amorim/Reportagem Local)

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