Os cientistas brasileiros continuam preocupados com o projeto norte-americano de usar um fungo transgênico no combate às plantações de coca na Colômbia, pois o impacto para a Amazônia pode ser desastroso, conforme Warwick Kerr, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), maior entidade de pesquisa científica da região. A falta de informação sobre o plano dificulta qualquer previsão sobre as consequências do uso do fungo para a maior floresta tropical do mundo, disse Glaci Zancan, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A proposta de uso do fungo não é nova e os Estados Unidos não voltaram a tratar do assunto publicamente desde o anúncio e da reação negativa dos cientistas.
‘‘O problema todo é que não se conhece a fitopatologia das plantas da região e da própria coca’’ destacou Glaci, professora de bioquímica da Universidade Federal do Paraná. Fitopatologia é o estudo das doenças que atingem cada espécie de planta. Saber a fitopatologia é necessário para se avaliar o impacto do fungo no meio ambiente. ‘‘A espécie que eles escolheram existe em vários lugares do mundo, é muito vulgar e fitopatógena de várias culturas agrícolas.’’
Além disso, os Estados Unidos mantêm em segredo o gene que será introduzido no fungo para que ataque a coca, vegetal que dá origem à cocaína, o que também impede os cientistas de ter idéia do que poderia acontecer caso o plano se concretize. Para Kerr, não deveria nem ter sido cogitada a possibilidade do uso do fungo transgênico para matar as plantações de coca. ‘‘É um tipo de fungo, do gênero Fusarium, que pega em várias plantas’’ disse. O SBPC encerrou ontem a sétima reunião especial, em Manaus, Amazonas, com o tema ‘‘Amazônia no Brasil e no Mundo’’.

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