Uso de ecstasy está se tornando epidêmico nos EUA
Nova York, 03 (AE-AP) - Um advogado chegando de Paris é parado na alfândega do Aeroporto Internacional John Kennedy para uma inspeção de rotina. No fundo falso de sua mala são encontradas 21.000 pílulas de ecstasy.
O telefone de um israelense é grampeado e descobre-se que ele está providenciando a entrega ilegal de ecstasy para hotéis de Manhattan. Investigadores, então, apreendem 300.000 pílulas, avaliadas em US$ 7,5 milhões, e prendem 32 pessoas.
Um jovem ultra-ortodoxo judeu, prestes a ouvir sua sentença em um tribunal nova-iorquino, lamenta ter aceito uma viagem de graça para a Bélgica em troca de retornar com a bagagem repleta de uma droga da moda - novamente, ecstasy.
As autoridades citam estes três recentes casos, e outros mais, como prova de que a cidade de Nova York tornou-se o epicentro de uma explosão nacional na importação do ecstasy, a "anfetamina psicodélica" sintética, também conhecida como MDMA ou simplesmente "E".
As apreensões das pílulas de aparência inocente - algumas vêm embrulhadas em papéis com as famosas "carinhas sorridentes", trevos ou até as orelhas do coelhinho da "Playboy" - se multiplicam como ratos.
A Alfândega norte-americana relatou a apreensão de 750.000 pílulas em 1998, 3,5 milhões em 1999 e, somente nos três primeiros meses de 2000, 4 milhões. Apenas em Nova York, o total foi de 1,3 milhão de pílulas em 1999, quase 30 vezes mais do que as 48.400 apreendidas no ano anterior.
Agentes encontrarm ecstasy em pacotes enviados pelos correios, em carros importados e dentro de móveis antigos. Mas a droga é contrabandeada especialmente em bagagens de passageiros procedentes da Europa, onde o preço de venda das pílulas não chega a um dólar. Nos Estados Unidos, um mercado em clara expansão, as pílulas são comercializadas por até 40 dólares.
Usando policiais à paisana e acusados cooperativos, as autoridades descobriram que a carga importada por Nova York é distribuída em toda região nordeste dos Estados Unidos. Pela quantidade de droga apreendida, Nova York é o maior portão de entrada para o ecstasy no país.
Outros grandes pontos de entrada são Miami e Orlando, enquanto que Memphis, no Tennessee, é o principal fornecedor da Califórnia, na costa oeste.
A polícia acredita que organizações do crime organizado da Rússia e de Israel - e até membros da conservadora comunidade judaica do Brooklyn, um distrito de Nova York - estão envolvidos no comércio de ecstasy.
Joel Gluck, de 19 anos, foi um dos vários jovens judeus recrutados por uma organização com sede em Amsterdã, que acredita que os ternos e os tradicionais chapéus pretos afastam qualquer suspeita. Os rapazes ganham dinheiro e viagens para a Europa; em troca, trazem um contrabando de milhões de pílulas.
Autoridades federais têm respondido à explosão de ecstasy com um estardalhaço de medidas de implementação de leis e uma retórica de guerra contra as drogas reminiscente do pânico do crack de cocaína há uma década.
O chefe da alfândega Raymond Kelly passou a usar o site da agência na Internet para alertar aos pais que o uso de ecstasy - outrora confinado a festas urbanas - tornou-se uma epidemia que atinge mesmo as comunidades mais distantes.
"Existe uma teoria de que o ecstasy faz com que nos sintamos bem e que não há efeitos negativos. Só que existe um monte de histórias horríveis", contou Kelly, citando provas médicas de que o uso da droga provoca desidratação grave, vertigem, dor de cabeça e, no caso de uso prolongado, depressão, perda da memória e dano permanente ao cérebro.
A DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos, classifica o ecstasy na mesma categoria da heroína e o LSD. E, assim como tais drogas, quem é flagrado traficando ecstasy é punido com longas penas: de até 20 anos de prisão.
A sentença, afirmam críticos, é excessivamente dura.
Sites da Web pró-ecstasy alegam que a droga não tem verdadeira relação com drogas pesadas. Eles destacam que não há tiroteiros, guerra de quadrilha, overdoses e dependência física associados com o tráfico de cocaína e heroína, e que destacam o uso de ecstasy por alguns terapeutas para melhorar a psicoterapia.





