Curitiba- Um procedimento cirúrgico desenvolvido por médicos e biólogos da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná começa a se tornar uma esperança para portadores de doenças do coração. A prova viva é o técnico em informática José Luiz Vali, 41 anos, que reside em São Paulo. No início de maio, ao ser submetido a uma operação de pontes de safena na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, ele recebeu uma injeção no coração de células retiradas de seus próprios músculos e de sua médula óssea.
''O objetivo do implante era recuperar movimentos de parte do músculo cardíaco que haviam sido perdidos com um enfarte'', explicou Vali. O técnico informou que cerca de 30% a 35% dos movimentos do coração estavam comprometidos. No acompanhamento realizado nas últimas semanas, os médicos constataram que o implante de células-tronco já proporcionou recuperação parcial de movimentação nas áreas atingidas.
''Estou indo a Curitiba uma vez por mês e os médicos vão esperar um ano para chegarem a uma conclusão sobre a eficácia exata do procedimento. Mas os resultados registrados já são surpreendentes e as perspectivas são boas'', comemorou Vali. O problema cardíaco, detectado no início do ano, já interferia na rotina do técnico.
''Tive que cortar o futebolzinho do fim de semana. Sentia muito cansaço após alguma atividade mais intensa'', comentou ele. ''Eu já era a favor de pesquisas com células-tronco antes do implante. Esta técnica desenvolvida pela equipe da PUC acaba com a polêmica em torno do assunto, pois são utilizadas células do próprio paciente e não de embriões, o que evita rejeição do organismo''.
Na próxima semana, será realizado em Curitiba o XVII Congresso Brasileiro de Genética Clínica, que terá mais de 20 palestrantes estrangeiros. O presidente do evento, o médico e geneticista Salmo Raskin, confirmou que os cientistas sul-coreanos Hwang Woo Suk e Seung Keun Kang, que realizaram a primeira clonagem terapêutica, participarão do congresso.

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