O governo quer regulamentar o uso turístico das cavernas no País, atualmente exploradas de forma descontrolada. A caverna do Poço Encantado, na Chapada Diamantina (BA), será a primeira a ter um plano de manejo segundo as diretrizes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O governo quer transformá-lo em exemplo para as outras 158 cavernas abertas ao público. Há no País 2.700 cavernas conhecidas e cadastradas.
O plano de manejo para o Poço Encantando, conhecido por
seu lago azul, com mais de 60 metros de profundidade, começa a ser discutido no seminário Uso Turístico das Cavernas, que começou ontem e vai até sexta-feira na Chapada Diamantina. O plano definirá a capacidade de receber turistas, as galerias liberadas para visitação e as atividades permitidas no interior da caverna, que tem uma espécie de clarabóia no teto, por onde entre os meses de junho e julho a luz do sol passa e atinge o lago azul.
O coordenador do Centro Nacional de Estudo, Proteção e
Manejo de Cavernas (Cecav) do Ibama, Ricardo Marra, considera o plano de manejo indispensável à preservação desses frágeis ecossistemas. Hoje, segundo ele, o espeleoturismo ocorre apenas em determinadas épocas do ano e sem critérios. Um exemplo é a entrada permitida a todas as pessoas que aparecerem.
Marra adverte que a visitação em massa pode contribuir para a corrosão dos cristais, o desgaste de suas rochas e a extinção da fauna. ‘‘Há quebra de estalactites, inscrições nas paredes, poluição por lixo, pisoteio das ornamentações de solo, expulsão e morte de morcegos e outros tipos de animais’’, lamenta.
Os próprios visitantes estariam correndo risco de vida, segundo o coordenador. Ele recomenda alguns cuidados para quem visita cavernas. ‘‘Nunca vá sozinho, sem guia, ou acompanhado por pessoa despreparada, que não conheça bem a caverna.’’ Marra lembra que já aconteceram acidentes fatais.
O turista deve utilizar um ponto de luz e outro reserva. Normalmente, o mais empregado é uma luz de carbureto no capacete. Mas se optar por levar uma lanterna na mão, não se esqueça de carregar outra na mochila, por segurança. A escuridão dentro da caverna é densa e sem ajuda de uma luz artificial a pessoa pode se perder.
Outra dica de Marra é não usar sandálias ou ficar
descalço. ‘‘Uma caverna é um ambiente de pedras, as pessoas podem se ferir.’’ O turista deve ainda carregar um saco para colocar o lixo do lanche, que deve voltar dentro da mochila.
A proposta do governo é, em primeiro lugar, estimular a elaboração do plano de manejo para as cavernas mais procuradas. Entre elas estão a de Maquiné, Lapinha e Rei do Mato (todas em MG), que recebem anualmente entre 40 e 50 mil turistas. A única caverna que já conta com plano de manejo no Brasil é a do Lago Azul, em Bonito (MS), onde passam por ano cerca de 60 mil pessoas conforme dados do Ibama.
O governo espera que o plano de manejo do Poço Encantado oriente projetos semelhantes de interesse de prefeituras, empreendedores e organizações não-governamentais. O Ibama está antecipando a adoção de uma medida - o plano de manejo - que será obrigatória para a obtenção do licenciamento futuro para o uso público das cavernas.

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