Buenos Aires, 03 (AE) - Os usineiros argentinos realizarão uma greve nacional no dia 14 de maio. O motivo da paralisação de atividades é o açúcar brasileiro: os usineiros do país protestam contra a entrada do produto proveniente do Brasil, muito mais barato que o similar nacional. Além disso, os usineiros ameaçam em não realizar a colheita deste ano.
Há dois anos, sob forte pressão do lobby usineiro, o Congresso argentino aumentou a taxa alfandegária para o açúcar proveniente do Brasil para 23%. Há duas semanas o governo argentino reduziu a tarifa para 20%, o que causou a irritação dos usineiros, que junto com parlamentares, criaram o Fórum do Açúcar, destinado a impedir a entrada do produto brasileiro.
Segundo o Centro Azucarero Argentino, a associação que reúne usineiros de todo o país, a economia de três províncias do norte do país entrará em colapso se o o açúcar brasileiro entrar livremente a partir de 2001, como estava previsto pelos acordos do Mercosul. O Centro alega que o livre comércio com o Brasil causaria a perda de 50 mil postos de trabalho de forma direta e outros 100 mil de forma indireta.
Segundo o diretor da Confederação Geral Econômica, César Tortorella, 100% do setor do açúcar no país está pedindo concordata. "E, além disso, a colheita deste ano não se realizará", afirmou. Criticando a possibilidade de livre comércio do açúcar com o Brasil, o líder empresarial argumentou: "a Argentina teria que pensar em adequar sua área de plantio de açúcar para daqui a dez anos. O setor precisa atualizar-se, mas não repentinamente".
O governo argentino não pretende impedir a entrada de açúcar brasileiro no país, mas também não tem a intenção de que o produto entre sem conseguir algo em troca. O subsecretário de Comércio Exterior da Argentina, Félix Peña, declarou que a Argentina poderia pedir compensações pela entrada de açúcar brasileiro no país.
Peña afirmou que a saída para o conflito do açúcar é chegar ao livre comércio de forma gradual "neutralizando as distorções que possam aparecer decorrentes de políticas nacionais", disse, referindo-se às acusações argentinas de que o Brasil aplica subsídios ao açúcar.
O subsecretário explicou que a neutralização de distorções não implica necessariamente na eliminação de hipotéticos subsídios que o Brasil dê ao açúcar. Segundo ele, a neutralização poderia ser feita através de direitos compensatórios. No dia 10 de maio representantes dos dois países se reunirão para negociar a forma e o cronograma que possibilitará a integração do açúcar dentro do livre comércio do Mercosul.

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