O ex-diretor da Secretaria de Fazenda de Porecatu, Angelo Roberto Pereira, garante não existem dívidas do Grupo Atalla, dono da Usina Central Paraná, com o município. Segundo Pereira, os usineiros têm casas, prédios onde funcionam escritórios, supermercado e farmácia. O grupo também é proprietário de um antigo seminário, onde funciona a Rádio Brotense.
O supermercado e a farmácia da usina, destinados a atender funcionários, estão fechados desde o dia 12, quando começou a greve, segundo trabalhadores que não quiseram se identificar. Sem dinheiro para comprar comida e remédios, os trabalhadores estariam pagando juros de até 15% ao mês.
‘‘Estamos com água e energia cortadas. Como vamos conseguir pagar as dívidas que estão se acumulando?’’, questiona Maurício Oliveira, empregado da usina. ‘‘Crianças colecionam figurinhas e nós colecionamos contas atrasadas’’, disse Oliveira, mostrando várias contas da Copel e Sanepar.
No escritório da Sanepar, um funcionário não quis informar se houve aumento nos cortes de água e retirada de hidrômetros. Segundo o funcionário, em função da falta de pagamento, a Sanepar está sendo ‘‘tolerante’’ com o prazo de quitação de contas.
Na Fazenda Congo, de propriedade da usina, as famílias reclamam que consomem água sem tratamento. ‘‘Tomamos água de um açude onde macacos tomam banho’’, disse um empregado. O açude estaria no meio de uma mata e é utilizado por vários animais. ‘‘Saem minhocas, caramujos e folhas das torneiras’’, afirmou.
Algumas famílias levaram amostra da água para análise, mas a Sanepar informou que não realiza este tipo de serviço. As famílias foram orientadas a fazer o exame em laboratório particular. (M.B.)

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