Usineiro é condenado por homicídio culposo
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Brás Henrique (especial para a AE) 
Araraquara, SP, 13 (AE) - O promotor de Justiça de Araraquara, Rubens Gentil Negrão, informou hoje que o usineiro Marcelo Zacharias Assif Cury foi condenado, na quinta-feira (09)
no Tribunal de Alçada Criminal, em São Paulo, por 3 votos a zero, a dois anos e três meses de prisão domicilar. O acórdão deve ser publicado no Diário Oficial do Estado em breve. A condenação de homicídio culposo é decorrente do acidente ocorrido durante a fuga de Cury, que havia atirado contra três pessoas (duas morreram) num bar de Ribeirão Preto, em 5 de abril de 1997, provocando a morte do executivo das usinas da família, Archimedes Castro Ramos Neto. Isso também deverá agilizar a ação de indenização da família do executivo: cerca de R$ 10 milhões.
Naquele dia, Cury desentendeu-se com uma das três vítimas, em frente à Choperia Albanos, e atirou contra elas - João Falco Neto e Marco Antonio de Paula morreram e Sérgio Nadruz Coelho sobreviveu, mas ainda tem sérias sequelas. Na fuga, Cury, acompanhado de Ramos Neto, capotou seu Audi, em rodovia próxima à Araraquara. Diante de testemunhas, o usineiro alegou ser "doutor" e dificultou o socorro do executivo, que morreu dois dias depois.
Cury fugiu e, para defender-se, alegou que estava como passageiro, não dirigindo o carro. Seis testemunhas de defesa do usineiro, entre elas o policial rodoviário Nelson Aparecido Gotardi, serão processadas por falso testemunho em juízo. Negrão disse que solicitará ainda a expulsão de Gotardi da Polícia Rodoviária. No primeiro julgamento, em 14 de maio deste ano, o juiz da 1ª Vara Criminal de Araraquara, Rui Ribeiro Magalhães, absolveu Cury por insuficiência de provas. Negrão, então, recorreu ao Tribunal de Alçada Criminal. "Estou contente, pois a Justiça prevaleceu", disse o promotor.
Um dos advogados da família de Ramos Neto, Antero Lisciotto, disse que essa condenação deverá agilizar a ação de indenização proposta em São Carlos. Além disso, uma ação trabalhista já foi reconhecida na Justiça e a família do executivo morto recebeu entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, após a recusa de uma tentativa de acordo com as empresas da família do usineiro, segundo Lisciotto.
Resta, agora, o julgamento de duplo homicídio duplamente qualificado - condenação de 12 a 30 anos cada caso - e de uma tentativa duplamente qualificada, em Ribeirão Preto. O juiz da Vara do Júri e de Execuções Criminais de Ribeirão Preto, Luís Augusto Freire, pronunciou Cury a ser julgado por júri popular, no final do ano passado. O advogado de defesa, Márcio Thomaz Bastos, entrou com recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo, tentando tirar a qualificação da pronúncia do juiz, tornando o processo como homicídio simples - condenação de 6 a 20 anos cada caso. O julgamento só ocorrerá após o decisão sobre o recurso, ou seja, sem previsão.
Após a publicação do acórdão, Cury terá que cumprir a sentença em regime aberto (domiciliar), não podendo sair de seu domicílio (cidade), Santa Rita do Passa Quatro, sem autorização judicial. Thomaz Bastos foi procurado hoje, mas estava em reunião e não deu informações sobre o que fará no caso da recente condenação. O promotor de Justiça de Ribeirão Preto, Djalma Cunha Marinho Filho, disse que esse resultado possibilitará à Justiça saber sempre onde Cury está. Se ele fugir, a atitude poderá resultar em novo pedido de prisão preventiva. Durante as investigações, pedidos de prisão preventiva e habeas-corpus foram decretados e revogados.


