Serrana, SP, 19 (AE) - Um tipo de álcool etílico hidratado, quimicamente controlado, feito sob encomenda, poderá substituir a partir do próximo ano o álcool de milho para a fabricação do saquê, bebida típica japonesa.
A Usina da Pedra, de Serrana, e a Usina Ibirá, de Santa Rosa do Viterbo, do empresário Pedro Biagi, foram as primeiras a atender o pedido feito por uma empresa japonesa. Em setembro, segundo a diretoria da Usina da Pedra, foram exportados 5,75 milhões de litros do álcool especial.
O diretor industrial da usina, Godofredo Fernandes Machado, informa que o álcool foi encomendado com especificações pré-determinadas em agosto e foi comercializado via Copersucar. "Não conhecemos diretamente o cliente, mas mediante as especificações sabemos que esse tipo de álcool é destinado à ingestão humana", explicou. As especificações indicam que o álcool deve ter um maior teor etílico e a total redução do metanol e de outros componentes químicos.
O volume exportado corresponde a 75% do total comercializado pela Copersucar com o Japão. A terceira usina a fabricar o produto não foi identificada. "Pelo menos 30% das 300 usinas existentes no país hoje tem condições de atender a esse pedido", explicou. Para Machado, a comercialização do álcool quimicamente mais controlado pode ser um novo nicho de mercado de exportação de produto a partir da cana-de-açúcar. Essa á a primeira vez desde 1991 que o Japão compra álcool brasileiro.
O executivo acredita que reconquista do mercado japonês se deva a uma política de exportações mais agressiva por parte do Brasil, aproveitando a competitividade do produto, já que o preço do álcool da cana-de-açúcar é pelo menos a metade em relação ao preço do produto obtido a partir de outra cultura. "Se considerarmos a queda do dólar junto a isso, o preço fica imbatível no mercado mundial", disse.
Apesar do preço comparativamente mais baixo do que os similares encontrados no mercado, no entanto, o custo de produção do álcool quimicamente mais controlado é pelo menos 20% superior ao álcool hidratado convencional. "Mas também há compensação no preço final que acaba sendo comercializado por um valor 20% maior do que o pago no mercado, em torno de R$ 0,40", afirmou Machado.
Apostando na abertura deste "nicho", o diretor industrial disse que a Usina da Pedra e a Ibirá mantém juntas um estoque de 20 milhões de litros à espera de novas encomendas. "Se precisar, transformamos toda nossa produção", comentou. Ele não soube estimar qual a capacidade deste mercado e também não revela o valor da operação.
No ano passado, o grupo, que compreende ainda a Usina Buriti, teve faturamento de R$ 158 milhões, moendo 5,62 milhões de toneladas de cana, para a produção de 320 milhões de litros de álcool e 5,43 milhões de sacas de açúcar.
A expectativa para a safra 99/00 é de moer 5,24 milhões de toneladas para a fabricação de 5,28 milhões de sacas de açúcar e 315 milhões de litros de álcool. Pelo menos quatro milhões de toneladas já haviam sido moídas até setembro. A usinas prevêem que, apesar da alta do álcool, o faturamento deverá ser menor do que no ano passado.

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