São Paulo, 22 (AE)- De olho no potencial dos alimentos orgânicos, um segmento que cresce 20% ao ano nos Estados Unidos e cerca de 30% no Brasil, a Usina São Francisco decidiu investir também no mercado interno. Está colocando nas gôndolas dos supermercados o Native - primeiro açúcar orgânico produzido em escala industrial no Brasil - e que exporta desde 1997 para 19 países. O lançamento exigiu investimentos de R$ 4,5 milhões em marketing. O segmento de produtos orgânicos -- ainda incipiente no Brasil -- deverá movimentar perto de R$ 50 milhões neste ano no Brasil. O Native responde por 50% do consumo mundial do produto.
Para o lançamento, a Talent Biz criou um filme, um culto à ecologia e preservação da natureza, que estreou domingo no Fantástico e continuará sendo exibido em horário nobre, além de anúncios em revistas, por seis meses. Nas versões claro e dourado em embalagens de um quilo, o Native está sendo comercializado em grandes redes de supermercados e o preço varia entre R$ 3,20 e R$ 4,00 o quilo. O comum não ultrapassa R$ 0 90.
Apesar da diferença acentuada de preços entre os produtos a empresa tem planos ambiciosos para o mercado. A intenção é abocanhar 0,4% do segmento - entre março deste ano até março de 2002 - da produção nacional, que soma 13,4 milhões de toneladas. "Nos próximos três anos, a meta é ter uma participação correspondente a 1% deste total", afirma Leontino Balbo Júnior, diretor-geral.
A Usina São Francisco, que produziu 23 mil toneladas de açúcar orgânico em 99, é a primeira usina ecológica do mundo a possuir o certificado FVO (Farm Verified Organic), considerado uma das instituições certificadoras mais rigorosas. Segundo Balbo Júnior, foram investidos R$ 2 milhões na infra-estrutura de produção (que inclui a montagem de uma empacotadora). A Usina São Francisco desembolsou outros R$ 6 milhões nos últimos 13 anos no desenvolvimento do projeto agrícola Cana Verde, que viabilizou a produção em grande escala.
Receita - A Usina São Francisco pertence à Organização Balbo, de Sertãozinho (SP), que controla também a Usina Santo Antônio. Para a safra 1999/2000, o grupo estima um faturamento líquido de R$ 103 milhões ante os R$ 82,6 milhões obtidos em 1998/1999). As exportações respondem por R$ 15 milhões.
O primeiro lote de açúcar orgânico produzido em 1997 foi de 1.600 toneladas. No ano passado, esse volume chegou a 4.000 toneladas. A crescente demanda externa e a entrada do produto no mercado nacional vão fazer com que a produção chegue, em 1999, a 30 mil toneladas, meta que a usina estimava atingir apenas em 2001. Desse total, 14 mil toneladas de açúcar serão destinadas ao mercado interno e 16 mil para exportação. O potencial de produção da usina é de 70 mil toneladas/ano.
Atualmente, a produção é exportada para cem clientes, em 19 países, nos cinco continentes: Estados Unidos, México, Canadá
Alemanha, Itália, França, Espanha, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Reino Unido, Suíça, Suécia, Finlândia, Noruega, Nova Zelândia, Tunísia e Japão.
Implementado em 1986, o projeto integra novas tecnologias de produção agrícola e industrial a tradicionais métodos naturais de cultivo, buscando a auto-sustentabilidade. A base da produção do açúcar orgânico é a não utilização de defensivos, adubos e outros insumos químicos desde o preparo da terra até o processamento industrial. A área da Usina, localizada em Sertãozinho (SP), é de 7.470 hectares de terra totalmente certificada.
Para complementar o fornecimento de matéria-prima, a São Francisco conta com a cana orgânica cultivada em 5.500 hectares da Usina Santo Antônio, pertencente ao mesmo grupo, a Organização Balbo. Essa área também é totalmente certificada para a produção orgânica. São, portanto, 12.970 hectares de canavial.
álcool e Energia - Seguindo a mesma filosofia que norteia a produção do açúcar orgânico, a Usina São Francisco produz álcool hidratado, considerado como a única alternativa viável aos combustíveis fósseis. Este ano, a usina deve processar 60 milhões de litros.
Outro subproduto gerado da cana-de-açúcar que merece destaque entre as atividades da empresa é a energia elétrica. A partir da queima do bagaço de cana, a usina produz, desde 1987, energia elétrica, térmica e mecânica, suficientes para suprir todas as suas necessidades. A produção de energia da usina é suficiente para abastecer uma cidade com 30 mil habitantes. O excedente é fornecido para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), fornecedora de energia para a região. O grupo deve processar este ano 211 mil toneladas de açúcar e 137 milhões de litros de álcool (anidro e hidratado). Suas duas usinas localizam-se no município de Sertãozinho, próximo a Ribeirão Preto, a maior região produtora de cana do país, responsável por 24% da produção do açúcar consumido pelo mercado brasileiro e emprega cerca de 2.800 trabalhadores.
A São Francisco e a Santo Antônio são cooperadas da Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e álcool do Estado de São Paulo (Copersucar).

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