São Paulo, 22 (AE) - A Usina Sérgio Motta (Porto Primavera), no Rio Paraná, que o governo paulista inaugura amanhã (23) com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, vai produzir a energia hidrelétrica mais cara do País, por causa dos juros capitalizados ao longo da construção, que demorou 20 anos.
Considerando juros de mercado aplicados sobre o investimento, o preço total da barragem chega a US$ 14,7 bilhões. Cada megawatt/hora vai custar cerca de US$ 300. A energia da Usina Sérgio Motta só não é mais cara do que a que será produzida na usina nuclear de Angra 2, que vai custar cerca de US$ 400 o megawat/hora.
O custo do projeto original da última obra faraônica herdada do regime militar era de US$ 2,2 bilhões. O investimento direto realizado na barragem foi de US$ 3,5 bilhões. Além disso, foram gastos mais US$ 1,7 bilhão em investimentos indiretos.
Segundo o secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce
com os juros durante a construção o custo contábil da obra é de US$ 11 bilhões. O custo do megawatt/hora seria de US$ 120. "O custo adicional por conta do atraso não será repassado para o consumidor", observa o secretário, destacando a importância da energia adicional da barragem para reforçar o sistema interligado das Regiões Sul e Sudeste.
Segundo especialistas em energia, o custo final do megawatt de Porto Primavera é maior, chegando a US$ 400, se considerados os juros de mercado e não os custos dos financiamentos oficiais do setor elétrico. Segundo cálculo do governo paulista (de dezembro de 98), os juros consumiram R$ 5 63 bilhões.
Os especialistas destacam que a obra sofreu atrasos porque, após o início da construção, a energia de Porto Primavera tornou-se desnecessária em razão da entrada em operação de Itaipu e de outras usinas da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Posteriormente, no fim dos anos 80, quando começou a faltar energia no País, o governo não dispunha de recursos para concluir o empreendimento, o que provocou novos atrasos.
Para complicar a situação da barragem, surgiram diversos problemas ambientais na região da represa. Quando o reservatório estiver completamente cheio, no ano que vem, o lago da represa terá cerca de 250 quilômetros do comprimento e largura média de 10 quilômetros.
Cerca de 1.700 famílias foram removidas das margens do Rio Paraná, nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Por falta de dinheiro, o governo paulista fez um acordo com os fornecedores de equipamentos e as empresas construtoras. As empresas estão concluindo o projeto em troca de papéis (debêntures) que poderão ser trocadas por ações ou por energia.
Segundo o secretário Arce, a recente desvalorização do real não alterou os termos do acordo firmado com a Camargo Corrêa, Sade Vigesa, Gec Alsthom Mecânica Pesada, Bardella, Schneider, Asea Brown Boveri, Cegelec Engenharia, Lorenzetti e Techint Engenharia.

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