Rio de Janeiro - A entidade ambientalista Greenpeace apresentou ontem um relatório sobre a emissão de gás carbônico a partir do funcionamento da usina nuclear de Angra 3. O estudo mostra que as emissões da usina poderiam atingir até 400 gramas de gás carbônico (CO2) por quilowatt/hora gerado de energia. O nível mínimo de emissões na atmosfera seria de 150 gramas de CO2 por quilowatt hora.
O relatório trata das emissões de gases de efeito estufa no ciclo de energia nuclear no Brasil. A coordenadora da Campanha de Energia do Greenpeace, Rebeca Lerner, afirmou que o relatório quer rebater argumento de que a energia nuclear seria uma energia mais limpa e solução para o aquecimento global. Ela reiterou a posição da Greenpeace que é contra a retomada da usina e o uso da tecnologia nuclear para geração de energia de modo geral.
Os números do relatório da organização não-governamental (ONG) levam em consideração desde a etapa de extração do urânio nas minas até a desinstalação da usina ao fim de sua vida útil. As etapas intermediárias seriam a fabricação do combustível nuclear; transporte do combustível; construção da infra-estrutura da usina; operação; e gerenciamento de rejeitos radioativos.
A ONG utilizou metodologia que estuda o gasto energético de cada uma dessas etapas da produção da energia nuclear. E a geração dessa energia que é consumida nesse ciclo provoca emissões de gases de efeito estufa, informou Lerner.
A coordenadora da Campanha de Energia do Greenpeace reconheceu que o provável índice de emissões de 150 gramas de gás carbônico por quilowatt hora de Angra 3 é menor do que o de uma termelétrica a diesel ou a carvão mineral, mas é mais alto do que uma hidrelétrica, que o uso da biomassa, da energia eólica ou da energia solar.
De acordo com o documento, o índice de emissões de uma usina nuclear como Angra 3 seria cerca de cinco vezes mais alto do que a poluição atmosférica gerada pela energia solar e pela energia eólica.

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