Curitiba - Pessoas ligadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) promoveram, na manhã de ontem, invasões na usina de açúcar e álcool da Cooperativa Agroindustrial Cofercatu e em uma fazenda pertencente ao presidente da cooperativa, José Otaviano Ribeiro, ambas em Florestópolis (Norte).
A usina não está tendo prejuízo com a invasão porque os equipamentos estão parados para manutenção, aproveitando-se a entressafra. A cooperativa já entrou com pedido de reintegração de posse.
Um dos líderes do movimento, Celso Damasceno, disse que a ocupação foi feita em ''solidariedade'' a cortadores de cana que prestam serviço à Cofercatu que estariam com os salários atrasados há quatro meses.
''Estamos dando uma mão para que eles possam receber os direitos'', disse Damasceno. ''A direção da usina já fez várias promessas nesse período, mas até agora não pagou nada.'' Segundo ele, a última promessa é de que o pagamento sairá amanhã. ''Se não der resultado vamos montar acampamento'', afirmou.
A Contag está com cerca de 500 pessoas nas dependências da usina e outras 300 na fazenda. Damasceno disse que nada foi destruído. Na fazenda, há plantação de cana e de soja. ''A polícia esteve aqui, conversou com a gente e viu que está tudo em ordem'', ressaltou.
De acordo com ele, aproximadamente 4 mil pessoas trabalham no corte de cana. Desses, 1,3 mil foram dispensados em fevereiro após entrarem em greve, mas até agora não teriam recebido o que lhes é devido. ''Tem família que não consegue pagar aluguel e já está indo para a rua'', disse.
Damasceno destacou que eles também estão pedindo que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tenha mais rapidez na reforma agrária. Segundo ele, na região de Londrina há 2,5 mil pessoas cadastradas aguardando um pedaço de terra.
Promessa
O delegado de base do do Sindicato dos Trabalhadores em Cooperativas do Estado do Paraná (Sintracoop), Odair José dos Santos, explicou que em reunião com a direção da usina, um acordo garante que os trabalhadores receberão seus pagamentos.
''Já sentamos com os diretores e nos foi garantido que eles pagarão os funcionários. Eles alegaram que o pagamento foi atrasado por conta de reestruturações na empresa e também pelo fato da chuva constante que havia caído na região nos últimos meses'', disse.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com a Cofercatu, mas o presidente não foi encontrado. (Colaborou Fernanda Borges/Reportagem Local)

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