Porecatu- Coordenadores do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) do Ministério do Trabalho e Emprego que atuam no combate ao trabalho escravo em todo país, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, estão há três dias realizando uma grande operação em Porecatu (85 km ao norte de Londrina) com o objetivo de fiscalizar as condições de trabalho dos cortadores de cana-de-açúcar na região.
Durante todo o dia de ontem, integrantes do grupo, da Polícia Federal e também do Ministério Público do Paraná, estiveram na Usina Central de Porecatu realizando um pente-fino na empresa. Diversos ônibus utilizados para transporte dos trabalhadores foram fiscalizados e interditados pelo grupo.
O procurador do Trabalho da 9 Região em Londrina, Alberto Emiliano de Oliveira Neto, explicou que a ação tem como principal objetivo fiscalizar o cumprimento das normas salariais, registros, equipamentos de segurança e outras questões ligadas às atividades dos cortadores de cana. A operação deve se estender nos próximos dias.
''Em especial no caso da Usina Central de Porecatu existe uma ação civil pública contra a Usina e uma ação de execução de multa, ambas na Vara do Trabalho em Porecatu. São questões ligadas aos salários, registros, falta de água potável para os trabalhadores, falta de equipamentos de segurança, além de diveros outros fatores que contribuíram para que o Grupo viesse atuar na região'', disse.
A reportagem da FOLHA procurou a direção da usina, mas não foi atendida. Agentes do grupo não quiseram apresentar o resultado da operação porque a ação deve continuar nos próximos dias. Disseram apenas que diversas irregularidades foram encontradas durante o trabalho dos cortadores, entre elas, a manipulação de produtos químicos na plantação sem uso utensílio ou roupas adequadas.
Durante a fiscalização dos ônibus, problemas mecânicos, falta de documentação para transportar trabalhadores além de outras condições adequadas de uso também foram constatadas. Todos os veículos permaneceram estacionados no pátio da empresa. Funcionários ligados ao transporte, terceirizadas pela Usina, não quiseram se identificar mas garantiram que a empresa está há dois meses sem efetuar os pagamentos.

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