Ribeirão Preto, 22 (AE) - A Usina da Pedra, de Serrana, formalizou esta semana, a abertura da empresa PHB Industrial, que será a responsável pela comercialização do plástico biodegradável, que vem sendo desenvolvido pela usina a partir da cana-de-açúcar nos últimos oito anos. O plástico desenvolvido pela usina já vinha sendo comercializado com a Alemanha, dentro do programa desenvolvido pelo governo daquele país, de substituir pelo menos 60% do plástico comum consumido por biodegradáveis num prazo longo, até 2060.
A intenção da usina da Pedra é que a empresa recém criada comercialize as 50 toneladas que devem ser produzidas este ano. O primeiro embarque para a Alemanha ocorreu em outubro de 1999, quando foi comercializada uma tonelada de polímeros de plástico de cana-de-açúcar. Inicialmente, o plástico biodegradável, que tem durabilidade de somente seis meses após ser jogado em fossa asséptica, contra 150 anos do plástico convencional, deverá substituir gradativamente o produto utilizado em materiais hospitalares, cosméticos e embalagens de produtos perecíveis não-recicláveis, como por exemplo produtos de limpeza.
Essa restrição do produto a um determinado grupo de produtos se deve principalmente ao seu preço, que chega a ser entre cinco e dez vezes maior do que o convencional. Mas, na opinião do diretor industrial da Usina da Pedra, Luiz Roberto Kaysel Cruz, a Europa não estaria tão preocupada com os custos desse novo produto e sim com o quanto vai economizar, por exemplo, em eliminação do lixo plástico, hoje calculado em aproximadamente 1.500 euros por tonelada, que poderia ser de 500 euros. A Europa, lembra ele, produz 70 quilos de plástico provenientes de petróleo por habitante por ano. No Brasil, essa proporção ainda está na faixa dos 15 quilos.
Para o engenheiro químico Carlos Eduardo Vaz Rossel, chefe da Divisão de Tecnologia da Copersucar, um dos principais responsáveis pelos testes, existe um mercado em potencial a ser explorado pelo plástico biodegradável. Ele acredita que em cinco anos, as usinas coligadas à Copersucar deverão estar aptas para produzir em torno de 50 mil toneladas por ano, aumentando a renda das usinas, já que o preço final do produto pode sair até 30 vezes mais alto do que o quilo do açúcar.

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